Sailing Ships - Encontros, acordos e partidas

Tales from the Sails. Need I tell you more, you sea weasel?

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Feral
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Mensagem#76 » 05 Fev 2012, 02:04

Embora já parecesse bem óbvio a esse ponto, era a primeira vez que alguém da tripulação mencionava "piratas". E aquilo realmente não parecia mera piada; na verdade, parecia, mas uma piada de pirata, claro.

Sharess me perdoe por estar sendo tão óbvio.

Isso estava ficando mais interessante a cada minuto.

[Kyjal] - "Piratas da velha guarda? De repente a história de permitir que um ladrão esgrimista se junte à tripulação começa a fazer um pouco mais sentido".

E ajusta mais confortavelmente a alça sobre seu ombro, antes de prosseguir.

[Kyjal] - "De qualquer forma, qualquer outra tripulação teria me transformado em tapete e usado minha cabeça pra algum tipo de decoração exótica, então só tenho a agradecer pela hospitalidade de vocês."

E então desce até o local indicado por Leon, deixando suas coisas a um canto. Mantém consigo apenas sua adaga e algumas moedas, deixando os demais pertences lá, antes de voltar ao convés.

[Kyjal] - "Acha que os outros se importariam se eu saísse uns minutos? Me sentiria melhor me aventurando com as devidas bênçãos de Bast."

Em qualquer resposta positiva, Kyjal dirige-se ao santuário de Sharess. Se a Mãe dos Gatos estava realmente influindo tanto em sua sorte, era bom prestar algum respeito a ela antes de se aventurar.

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Rodwolf
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Mensagem#77 » 05 Fev 2012, 10:43

[Piccola] Er...senhor Evans, perdoe se sou indelicada, mas...o que faz um sacerdote, exatamente? É que nunca conheci um pessoalmente e estou curiosa.

Antes mesmo da pergunta ele já havia notado o ar de curiosidade da pequenina, não sabia exatamente sobre o que, ela parecia não ter visto muito do mundo ainda; como se fosse de um lugar muito longe, diferente. Mesmo ela sendo jovem, Evans estava intrigado com suas características, em parte pelos comentários da Capitã Tabitha, não conseguiu deixar de notar o pequeno volume nas costas de Piccola.

[Evans] Não se preocupe, não és indelicada, pode me perguntar o que quiser -dá um breve sorriso demonstrando que não havia problema algum em perguntar- Bem, existem várias divindades, ou pelo menos existem várias crenças. Um sacerdote nada mais é que o instrumento que serve seu senhor, a mão que executa sua obra. As preces de um sacerdote permite que ele fale com seus deus e esse lhe concede sua benção, poderes divinos, pode-se dizer. E com esses poderes o clérigo é capaz de cumprir suas funções, desde que ele se mantenha fiel a elas, é claro. Eu e outros como eu por exemplo, somos clérigos de Kelemvor. Kelemvor é conhecido como Senhor da Morte, Juiz dos Condenados e Senhor da Espiral de Cristal. Os deveres de seus seguidores são muitos, entre eles, guiar aqueles estão passando deste plano para outro, dando-lhes uma passagens digna, atender seus últimos pedidos. Proteger as pessoas e aglomerados de pessoas inocentes, impedindo uma morte malígna, antes de seu tempo, combatendo quaisquer males, desde curar doenças até combater aqueles que tragam qualquer dessas aflições ao homem comum. E uma de nossas mais importantes tarefas, destruir todas as forma de mortos-vivos.

Se preocupa que já tenha falado demais e cansado a pequenina com sua longa e enrolada explicação. Sua expressão durante todo o falatório fora austera, mas ao final dirigiu um tímido e divertido sorriso para a jovem.

[Evans] E agora sabes o quanto padres costumam falar quando começam, acho que é por isso que a maioria parece fazer voto de silêncio. A taverna parece ser aquela.
Última edição por Rodwolf em 05 Fev 2012, 10:48, editado 1 vez no total.
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Samiel_Fronsac
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Mensagem#78 » 05 Fev 2012, 13:06

§ Colocando o arco preso no suporte de couro ás suas costas, é surpreendido pelo absurdo das palavras da criatura de chifres. Levanta uma sobrancelha desconfiada e fala, em um tom de voz firme e claro, para não deixar dúvidas da seriedade. §

[Leon] Não comece a fantasiar... Kyjal, é isso? Não há nenhum navio pirata por muitas e muitas milhas daqui. As tripulações prezam por suas vidas. Águas Profundas? Uma cidade de negócios legítimos. Qualquer um que esteja procurando o ambiente para o tipo de atividade que um pirata exerce precisa ir a outro lugar... Fora da nossa rota.

§ Quando ouve as palavras da criatura sobre tapetas, sorri cinicamente por um segundo, então volta a seriedade. Decide ser melhor explicar logo ao novato como algumas coisas funcionam, antes que seja tarde demais pra ele voltar atrás. §

[Leon] Quanto a questão do tapete, não estamos acima disso caso você não cumpra as ordens com presteza e dedicação. O mar é uma fera, e devora navios descuidados. Por isso cada homem, ou aproximado, faz sua parte no melhor de suas habilidades, ou a vida de todos está em risco... E somos tão bondosos quanto carniçais famintos ao tratar com recrutas lentos, incautos ou insubordinados. Raro há segundas chances em alto-mar.

§ Acompanha com os olhos enquanto o recruta vai e volta do castelo de proa. Não estando completamente seguro das intenções do mesmo ao aceitar o trabalho, mantém-se vigilante. Quandop ouve a pergunta, responde prontamente: §

[Leon] Faça como preferir, mas ao meio-dia pontualmente zarpamos.

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Holygriever
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Mensagem#79 » 05 Fev 2012, 13:07

Após o quase-desabafo de Meia-Noite, o velho Jack se levantou e o convidou para dentro. Meia-Noite só entrava ali às vezes, e na maioria das vezes era para levar sermão. Apropriado. O familiar cheiro estranho ainda estava lá, como de costume.

Ele se senta em uma velha cadeira enferrujada com o encosto para a frente, debruçado no mesmo, enquanto o velho perambula um pouco, mexendo no mais novo buraco entre os dentes.

Meia-Noite o ouve em silêncio. Não fala nada nem quando o velho se senta em seu colchão com uma expressão séria. Reconhecera o tom de voz de Jack: quando o velho desatava a soltar lições de vida, era melhor escutar calado e absorver tudo o que puder, pois o velho era vivido e raramente dispensava sua sabedoria a outros, pois poucos o levavam mais a sério que a um marinheiro velho e bêbado. Isto era exatamente o que Meia-Noite precisava.

[Jack]: Agora você, você nem viu o mundo. É grande, forte pra dedéu, trabalha bem, é bom de conversar e de lutar... mas tu é um garoto. Um garotinho, no fundo. Pra esse mundo, tu é uma criança. Tu quer mesmo viver o resto da tua vida carregando caixa pra lá e pra cá, como um garoto de rua recebendo trocado? Isso não tem problema nenhum, se tu escolher. Mas se tu quiser isso, e um dia vier com viadagem de "escolhi a vida errada", eu mesmo esmago tua cabeça, sacô?

Meia-Noite ouve, atento. O velho Jack tinha razão. Puta merda, ele tinha razão. Como sempre. E a sua descrição da capitã Alouise a retratou como uma mulher bruta, durona, mas com muitos escrúpulos. Seu pai admiraria a mulher, ele pensa.

[Jack]: Moleque, faz o que tu quiser. O velho Jack vai estar sempre aqui. E isso não é triste #um largo sorriso abre, mostrando a falta de quatro dentes#. Triste é você ter medo de escolher uma coisa pra sua vida que tu não gosta. E moleque, o que mais tu escuta nas tabernas e estalagens são beberrões reclamando disso. Guarda, marujo, até as garçonetes. As meretrizes reclamam menos.

- Tá certo, velho. Tá certo pra caramba.

Ele aponta para uma pequena cômoda perto da cozinha.

[Jack]: Pega ali, na segunda gaveta, dobrado no canto esquerdo. Eu ia te dar só quando conseguisse me nocautear, mas isso nunca ia acontecer.

Enquanto o velho solta sua característica gargalhada rouca, Meia-Noite segue a instrução. Mas não fazia idéia de o que o velho queria lhe dar.
"Você tem medo do Escuro? Pois deveria."

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Gabrielle
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Mensagem#80 » 05 Fev 2012, 13:14

Picola devolveu o sorriso.

[Piccola] Oh, imagine! Estou achando tudo interessantíssimo, pode falar à vontade, não me importo.

Ela olha onde ele indicou, e assente com a cabeça.

[Piccola] Aaah, é. Pois então - ela flexiona as mãos, com um sorriso de antecipação. - Está preparado?

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Stephan
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Mensagem#81 » 05 Fev 2012, 14:36

Com a "bênção" de Leon, Kyjal retira-se do barco, após deixar seus pertences nos alojamentos da tripulação. O felino então parte em direção à entrada do Distrito do Comércio de Águas Profundas. Sharess não tinha templos. Em vez disso, seus clérigos organizavam "salões festivos" através dos Reinos.

Os salões procuram agradar todo prazer inimaginável, e muitos consideram as normalmente grandes e longas casas de dois a três andares como prostíbulos -- uma crença errada, mas não muito longe da realidade. Uma grande variedade de clientes mantém os salões funcionando, enquanto os clérigos investem para manter a sacracidade do local, e os fiéis sempre aproveitam a parte prazerosa e espiritual.

O salão festivo de Águas Profundas ficava dentro do Distrito do Comérico, mas bem perto das entradas dos Distritos das Docas e Sudeste. Assim, comerciantes e marujos mais endinheirados poderiam aproveitar as danças sensuais, belas mulheres e belos rapazes, e muito vinho. E um dos aspectos de Sharess -- Bast -- é sempre levada a sério, e é muito raro encontrar um salão sem no mínimo duas ninhadas de gatos.

Depois de mais de quarenta minutos, Kyjal chega ao salão. Suas festividades costumam durar por toda a madrugada, mesmo nos dias normais das dezenas. No momento em que chegara, filhos de nobres locais saíam pela porta, às vezes com belas mulheres, às vezes sozinhos. Nestes locais, as mulheres possuem mais respeito, e sempre possuem o mesmo poder de escolha que os homens. Tais festanças muitas vezes eram vistas como desperdício de tempo, visto que nem todos os clientes eram fiéis da semideusa.

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Mais dentro do Distrito das Docas, Evans e Piccola conversavam bastante, enquanto adentravam o Vento Gritante. A porta ficava na esquina, o que representava um grande número de clientes. Dentro da estalagem, só se viam três coisas: cadeiras e mesas vazias, pescadores que estão fazendo seu desjejum, e marinheiros destruídos pela ressaca.

A elfa reconhece um dos marujos de primeira. Tomme, o mais velho dentre os quatro marujos restantes do Licorne, sempre levava os assuntos mais a sério, e era mais calculista que seus outros companheiros, e o primeiro a levar Piccola à sério quando esta chegou ao barco.

As mãos se encontravam nas têmporas, fazendo uma leve massagem. Tomme tinha apenas uma caneca de bebida na sua frente, mas o líquido não parecia ser alcoólico. Nem mesmo o taverneiro percebeu a entrada do clérigo e da elfa.

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Obedecendo ao velho lobo do mar, Meia-Noite abrira a gaveta. O cheiro estranho estava mais forte por ali, mas ao ver o conteúdo, notou que não vinha do seu presente. Uma rápida olhadela para o fundo da gaveta revelou um pacote azulado, como um presente há muito embalado. Era velho. Mas não era para ele.

Meia-Noite segurou o colete esverdeado, analisando o tecido. Parecia ser bom, e tinha até dois bolsos na parte inferior, na frente, um de cada lado.

[Jack]: Tu pode até achar legal ficar mostrando teus músculo pra todo mundo. Mas da primeira vez que tu tiver que segurar uma corda da vela que tá sendo arrastada pelo vento, vai sentir aquela porcaria queimando tuas costelas. E dói como os Nove Infernos.

A gargalhada rouca mais uma vez surge, agradando os ouvidos de Meia-Noite:

[Jack]: Vai, bota aí. Vai ficar que nem aqueles homens de Al-Qadim, lá da terra de Zakhara.

O tecido era confortável. E servia bem para o tamanho dele. Realmente, uma das poucas vezes que Jack se prestava a dar presentes.

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Leon sentia a brisa marítima bater em seu rosto. O vento salgado anunciava que seria um excelente dia para navegar. Seria Tymora sorrindo para ele? Então por que a capitã, mesmo com a tripulação com necessidades, insistia em trazer aquele bicho estranho à bordo? Será que ela viu algo que ele não viu?

Seja o que fosse, pelo menos seria mais alguém para lutar contra os inimigos. E se tudo mais falhasse, sempre seria um alvo mais interessante do que os outros.

O sentimento do final da madrugada, que ocasionou sua desatenção, havia desaparecido. Talvez fosse a bronca da capitã. Talvez fosse a hora da partida chegando. Talvez fosse o sangue novo. Ou talvez fosse tudo.
"O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros."

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Holygriever
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Mensagem#82 » 05 Fev 2012, 14:57

[Jack]: Vai, bota aí. Vai ficar que nem aqueles homens de Al-Qadim, lá da terra de Zakhara.

Meia-Noite aprecisa o presente de Jack. DE JACK! Não se lembra da última vez que havia o visto dar algo a alguém que não fosse uma garota daquelas que rondam o porto. Parecia confortável, no tamanho certo. A quanto tempo estaria Jack guardando isso?

- Velho... vou botar isso agora não. Primeiro que antes eu preciso de um banho. - Meia-Noite se vira para o Jack com um sorriso meio sacana no rosto - Segundo... porque antes eu quero tentar ganhar isso direito pelo menos mais uma vez.

O negrão estrala os dedos.
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Feral
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Mensagem#83 » 05 Fev 2012, 16:16

Ah... o "santuário" de Sharess.... embora poucos realmente tivessem a devoção -- ou a ousadia -- de chamá-lo assim. Embora muitos o vissem como um grande prostíbulo, Kyjal o via como qualquer outro grande devoto de Bast: como um canto dedicado aos costumes e vontades de sua deusa. Claro que infelizmente nem todos os frequentadores pensavam exatamente assim, ou exatamente com essas intenções, mas o que se pode fazer?

O jovem adentra às portas do salão. Felizmente era um dos poucos lugares de Águas Profundas que tolerava sua presença; não apenas isso, mas foi o local que o acolheu em sua primeira noite naquela cidade, e o primeiro lugar a oferecer alguma hospitalidade...

...entendam como quiserem.

Ele dirige-se então à estátua de sua deusa, ao centro do salão. Lá estava Bast, com todo seu explendor e beleza... Muito embora Kyjal preferisse a representação Mulhorandi, mais parecida com sua raça -- porém sem os chifres. Mas enfim, Kyjal era eclético o suficiente para apreciar a beleza de ambas as formas.

Em uma discreta reverência, Kyjal sauda a estatueta de sua deusa.

[Kyjal] - "O que você reserva para mim, Mãe dos Gatos..."

Enquanto Kyjal expressava timidamente sua devoção, um dos vultos ao redor desviou de seu rumo usual por uns instantes e veio na direção do felino.

Eis que surge uma voz familiar. E definitivamente, aquele tom sarcástico não era difícil de reconhecer.

"Não, Kyjal, ela não vai te deixar 'festejar' sem pagar."

Kyjal ergue a cabeça e move as orelhas um instante, voltando então o rosto para a figura que se aproximara.

[Kyjal] - "Ah, Fesper. Que bom ver um rosto amigo, pra variar."

O rosto familiar era o de uma das sacerdotizas de Sharess the tomavam conta do... santuário. Pela frequência com que Kyjal era visto por ali, e por não se tratar exatamente de uma figura difícil de esquecer, o corpo de sacerdotes dali já meio que se acostumara com a presença do felino.

Bem, pelo menos mais do que o resto da cidade.
Última edição por Feral em 05 Fev 2012, 16:17, editado 1 vez no total.

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Samiel_Fronsac
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Mensagem#84 » 05 Fev 2012, 17:27

[Leon] Quanto antes deixarmos Águas Profundas, melhor.

§ Tenta afastar a mente de pensamentos mais sombrios trabalhando na manutenção do navio. §

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Stephan
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Mensagem#85 » 05 Fev 2012, 18:45

Meia-Noite mal lembrava de como chegou a ficar caído na calçada de Águas Profundas. O sorriso semi-desdentado seguiu com vários golpes bem colocados do velho Jack. Os músculos do gigante sempre resistiram bem aos ataques inimigos, mas aquele velho magrelo sabia exatamente onde golpear.

Só que Meia-Noite aprendeu bem. Quem via um negro enorme como ele se surpreenderia com a habilidade de fintar. Era comum Jack começar a golpeá-lo, e em seguida, Meia-Noite criar um ritmo para desviar dos golpes bem colocados. Depois vinham as tentativas de agarres, enforcamentos e torções. O gigante tinha a vantagem de tamanho e força. Jack, no entanto, sempre ensinara que a briga de rua nunca tem regras.

"Vale desde tapa de luva no nariz até garrafada no dedão do pé, moleque" Essas eram as palavras do velho, sempre que começava a falar sobre lutas. Usando golpes nas axilas, genitais, joelhos e até nos olhos, Jack sempre se escapava das manobras de Meia-Noite.

Os golpes estavam mais fortes hoje. Talvez era a frustração de Jack ver seu "aprendiz" ir embora. Ou então uma tentativa de mostrar como "seria o mundo lá fora". Ou simplesmente uma luta mais empolgada que o normal.

Risos e sorrisos eram comuns durante as pausas entre os golpes, e a luta começava a durar bastante. Mas bastou uma finta e uma cotovelada bem colocadas, que Meia-Noite encostou na porta, atordoado. Um último gancho, esticando o corpo inteiro, fez o gigante ser arremessado, escancarando a porta e quebrando (mais uma vez) o batente superior.

E então, limpando o sangue da boca e do supercílio aberto, Jack estende a mão para Meia-Noite. Quando este a aceita para subir, percebe que sua tentativa de pilão deve ter quebrado pelo menos duas costelas do velho. A cara de dor era clara, mas Meia-Noite só recebeu parabenizações e um tapinha nas costas.

[Jack]: HE HE HE, vai pro teu banho, seu mulambento. Cuida do teu couro, pra poder usar meu presente direitinho. Quando voltar pra terra firme, a gente repete essa dança.

Com a última palavra, Jack faz como se fosse abraçá-lo. Mas Meia-Noite sente apenas a dor aguda do nariz, que por pouco não se quebrou. Uma cabeçada. Sacana, furtiva e dolorosa. Bem ao estilo do velho Jack.

[Jack]: E isso é pelas minhas costela! Vai, marujão.

Um sorriso semi-desdentado serve como a despedida final do velho.

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O cheiro de incenso e álcool (e de outros fatores) era forte no salão festivo. Fesper Era uma das poucas sacerdotisas de Sharess que fazia questão de também agradar o lado Mulhorandi da semideusa. Era ela quem quebrava as mãos de quem mexia com os gatos do salão, usando sua maça sem espinhos (para não arriscar nenhum gato a se machucar por acidente). Fesper era uma meia-elfa com um corpo impressionante, devido à todos os estilos de dança aprendidos. Mas era tão arisca quanto um gato de rua. Seu rosto, repleto de pequenas cicatrizes, não combinava tanto com o corpo. Mas ainda impressionava.

[Fesper]: Rosto amigo? Se encrencou de novo, foi? Deixa eu adivinhar: está se sentindo sozinho, com fome, e precisa de um ombro amigo, só que ficou sem grana de novo?

A personalidade de Fesper parecia obrigá-la a tratar Kyjal desta forma. No entanto, o felino sabia que a acidez nunca passou das palavras. Na verdade, à sua própria maneira, a sacerdotisa cuidava dele -- até certo ponto.

Seus olhos tinham olheiras enormes, mostrando que ela ficou acordada a noite inteira.

[Fesper]: O que quer, afinal?

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No horizonte, o número de barcos pesqueiros aumentava à medida que o dia passava. Ficava feliz de ter dois pescadores excelentes à bordo -- os festeiros Rhezin e Brenten --, o que muitas vezes significava boa e rara comida, desde que estivessem no local certo.

Tomme às vezes agia como o Imediato do navio, o segundo em comando da capitã. De certa forma, era. Mas até agora, ninguém pegou o posto. A capitã reveza o leme com ele e com Leon. Nenhum deles era um exímio piloto, mas são os três mais capazes do navio.

O ruivo Alber era quem ficava no Ninho do Corvo até a chegada de Piccola ao Licorne. Agora, ele se foca muito mais em cuidar de todas as cordas e amarras do navio, assegurando para que nada de ruim aconteça durante uma tempestade. Leon também tinha essa tarefa.

E agora, estavam recebendo nada menos do que três. Três novos homens. Um tipo de gato bípede. Um estivador e trabalhador. E um sacerdote. Do deus da morte, ainda por cima. O que esta viagem os reserva?
Última edição por Stephan em 13 Fev 2012, 23:37, editado 1 vez no total.
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Mensagem#86 » 05 Fev 2012, 19:56

Kyjal esboça um sorriso no rosto. Aquela era realmente a Fesper de sempre. E o felino responde num tom calmo, como quem estivesse abobalhadamente feliz com algo.

[Kyjal] - "Nah, dessa vez só vím pedir boa sorte a Bast. Na verdade, esse dia vem acontecendo todo ao contrário: me livrei de uma encrenca séria, a tripulação do La Licorne me aceitou e estou zarpando com eles ao meio-dia de hoje. Também acho que não vou mais passar fome tão cedo, se eu fizer bem o meu trabalho. E por fim, até deu pra sair de Águas Profundas com algumas economias... A semana passada rendeu bastante".

Por "rendeu bastante" significa que ele finalmente conseguiu roubar o suficiente, vender o suficiente a algum mercador escuso -- não antes de levar embora o dinheiro dele sem ele notar -- e passar os dias seguintes conseguindo comida sempre em meios "alternativos" (não que fosse a primeira opção, mas já passamos por essa explicação).

[Kyjal] - "De repente as coisas estão dando muito certo para mim, e mais do que nunca eu vou precisar de boa sorte. Não quero ser mal-agradecido à Mãe-dos-Gatos, então vim dar minhas caras aqui uma última vez".

E então a atenção do felino é chamada por algo que roça em sua perna. Era um dos gatos que habiltava o local, que parecera reconhecê-lo das visitas anteriores. Outros felinos menores estavam um pouco mais distantes, uns brincando com os outros, enquanto uma que parecia ser mãe cuidava de alguns filhotes.

[Kyjal] - "Eles têm dado trabalho esses dias?".

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Mensagem#87 » 05 Fev 2012, 21:06

§ E enquanto os outros passeiam pela cidade, o marujo Leon continua se ocupando de uma pré-checagem de forma a poder instruir os outros sobre o que é preciso ajeitar antes de partirem, e assim maximizar a eficiência do serviço. Anda de um lado para o outro com uma lista e caneta. §

[Leon] O deck está tão sujo que um otyugh poderia viver aqui tranquilamente... A vela de proa está com três pequenos rasgos, provavelmente aqueles pássaros estúpidos outra vez... Uma tábua das escadas para o tombadilho superior precisa de outro prego ou alguém vai acabar rolando dali... E por que nos Nove Infernos colocaram a luneta na cozinha?!
Última edição por Alta Vista [Bot] em 05 Fev 2012, 23:12, editado 1 vez no total.

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Mensagem#88 » 06 Fev 2012, 12:50

Os olhos de Piccola se iluminam com reconhecimento quando ela avista Tomme. Olha um pouco em volta, primeiro, acertando-se de que não havia perigo iminente, e então anda rapidamente até o velho marujo. Com delicadeza, toca seu ombro.

[Piccola] Tomme? Está bem?

Fala em um tom baixinho, que havia aprendido a usar para pessoas de ressaca - algum relativamente comum para a tripulação de um navio...

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Mensagem#89 » 06 Fev 2012, 16:58

O pouco som que agora vinha da taverna poderia muito bem ser sinal de uma noite barulhenta e agitada. As mesas ainda por arrumar e chão para esfregar e alguns clientes domindo ou meio-dormindo é o que denunciava o estilo norturno. Marinheiros acabados e pescadores se preparando para começarem suas atividades. Não conhecia nenhum dos marinheiros do Licorne, mas sabia que sua parte nesta tarefa designada pela capitã não era essa. Observa a todos cautelosamente, inclusive o taverneiro. A pequena elfa parecia ter reconhecido um dos homens de Alloiuse.


[Piccola] Tomme? Está bem?


Espera o homem responder enquanto o analisava e ao resto do ambiente.
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Mensagem#90 » 06 Fev 2012, 19:58

Após a cabeçada do velho, Meia-Noite ainda podia ficar de pé. Mas desabou de costas, rindo bastante, braços estirados para trás. Qualquer um iria achar que quem ri após ter o nariz quase quebrado é louco, mas Meia-Noite estava feliz. Aquilo era puro, simples. Era assim que Jack mostrava aprovação. Ele estava muito grato.

[Jack]: E isso é pelas minhas costela! Vai, marujão.

- Ahahahahahahaha! Seu velho maldito! Da próxima vez o Meia-Noite te deita no braço! Ah, eu vou sentir falta disso.

Se levantando com um gemido, ele fica de pé, costas eretas, de frente para o velho, que sorri. Junta o punho direito com a palma esquerda na frente do peito e se inclina 30 graus.

- Muito obrigado, Sifu.

Meia-Noite então dá as costas ao velho e sai, correndo, pelo caminho pelo qual viera. Havia mais o que fazer.

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O gigante volta para onde estava o Licorne. Seu casebre ficava por perto. Parrote havia acordado e estava voando por perto, certamente esperando o dono e, ao avistá-lo, voa para o ombro do mesmo. Meia-Noite faz carinho na cabeça do animal e chacoalha o ombro para que ele voe.

- Temos muito o que fazer, amiguinho. Junte suas coisas!

Meia-Noite retorna até próximo do seu casebre. Ainda correndo, larga o presente de Jack na beira do cais e se joga no mar. A água, um tanto gelada, lava seu suor e faz arder as feridas e inchados causados pelos punhos magros e duros de Jack. O gigante não reclama: isso significava que ele estava vivo, como seu mentor costumava dizer.

Subindo por uma escadinha, o gigante vai até seu casebre, recolhe uma esponja grossa e velha e se lava rapidamente com água doce em uma tosca ducha pública que havia ali perto. Sem trocar as calças molhadas (que em breve estariam secas, pois o sol já estava bem mais forte) ele veste o colete que ganhara. A próxima coisa a fazer era ir até o dono do cais onde trabalhava.

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O senhor Beren estava no seu escritório, como de costume. Meia-Noite bate na porta, se anuncia e entra. Ele explica ao seu chefe a situação, de como estava saindo em busca de algo melhor junto com a tripulação do Licorne, que o convidara. Beren não ficou feliz, porém, não tinha condições de fazer uma contra-proposta: os negócios no cais não iam muito bem, e ele já pagava diversos outros vigias; não podia se dar ao luxo de aumentar os ganhos de Meia-Noite, mesmo ele sendo um de seus vigias de maior confiança. Meia-Noite sabia disso, e não pretendia tal barganha. Com um aperto de mão consternado, Beren o libera das suas obrigações, e pede que Meia-Noite deixe a chave do casebre na porta ao sair.

Certo, menos uma coisa. Agora era contar aos seus que estava de partida. Meia-Noite sai pelo porto, passando pelas tavernas, rodinhas de conversa, todos os lugares que costumava frequentar (não eram muitos). Àquela hora não havia muitas pessoas com quem encontrar, mas algumas das figuras tarimbadas ainda estavam nas tavernas, se recuperando da noite ou o que mais: Thordin Dente-De-Ferro, o Aaron (ou Cabelo-Molhado, como sempre estava), sem falar no velho taverneiro gordo Bertô, que já iniciava a sua rotina. Se despede dos que encontra, pede a eles que contem a quem puder interessar sobre sua saída da cidade e viagem à borda do Licorne. Sorrisos e apertos de mão, e algumas parabenizações são trocadas.

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Só restava agora juntar as suas coisas. Meia-Noite volta ao seu casebre e junta em um pesado saco de viagens os poucos pertences que mantinha consigo. Veste uma camisa branca por baixo do colete, suas calças pretas e grossas já estavam secas a essa altura. Ele então se senta a uma cadeira de ferro (uma das poucas que aguentaram seu peso até então), se debruça sobre uma mesinha, puxa um pedaço de papel e tinta e escreve uma carta aos irmãos.

"Clara, Erik, Jhona. Estou saindo de Águas Profundas. Hoje. Fui convidado para me juntar a uma tripulação, no Licorne. Foi tudo muito de repente, mas o velho Jack me deu bons conselhos, e eu resolvi ir. Ver qual é que é. Se eu não gostar, depois eu volto pra cá. Mas se tudo der certo, eu não posso prometer nada, mas talve eu consega juntar um bom dinheiro. E se for esse o caso, eu volto praí e finalmente compro nossa fazenda daquele senhor Baudelaire, como o pai queria.
Eu vou ficar bem. A capitã Allouise é uma mulher durona mas correta, igual o pai era. A tripulação é pequena (e meio esquisita), mas parecem ser boas pessoas. Vai dar tudo certo.

Assim que aportarmos, eu volto a escrever. Se cuidem, abraço. Amo vocês.

Marvin."


Deixando a carta endereçada aos cuidados de um mensageiro, Meia-Noite agora estava pronto para partir. Com Parrote em um ombro e seu saco de viagens no outro, ele se põe a caminho do Licorne.

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O sol já estava bem alto no céu quando Meia-Noite chega ao Licorne. Deviam ser umas 10:00, 11:00. Lá chegando, Meia-Noite sobe a rampa e olha aos seu redor, procurando pela capitã.
Última edição por Holygriever em 06 Fev 2012, 20:31, editado 1 vez no total.
"Você tem medo do Escuro? Pois deveria."

Meu amor, o meu chão, onde deixei a paixão...
Não me importo, vou voar, o céu você não vai levar...

Leve-me à escuridão, diga que não me verão...
Queime a terra, ferva o mar, o céu você não vai levar...

Serenity a viajar, não há lugar melhor que o lar...
O céu você não vai levar...

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