[BLOG] CONAN RPG (Mongoose Publishing)

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[BLOG] CONAN RPG (Mongoose Publishing)

Mensagem#1 » 18 Ago 2014, 12:07

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Imagem"Saiba, ó Príncipe, que entre os anos em que os oceanos tragaram a Atlântida e as cidades resplandecentes, e o período em que surgiram os filhos de Aryas, houve uma era jamais sonhada. Reinos esplendorosos se espalharam pelo mundo tal qual miríades de estrelas sob o firmamento. Nemédia, Ophir, Britúnia, Hiperbórea... Zamora, com suas mulheres de cabelos escuros e torres assombradas por aranhas misteriosas; Zingara e a nobreza; Koth, fronteiriça com as terras pastoris de Shem; Stygia, com as tumbas vigiadas por fantasmas; Hirkânia e os cavaleiros vestidos com aço, seda e ouro. No entanto o reino mais orgulhoso do mundo era a Aquilônia, que imperava suprema no oeste dos sonhos.

Nessa era surgiu CONAN, o CIMÉRIO... de cabelos negros, olhar sombrio e espada em punho... um ladrão, salteador, matador, dono de gigantesca melancolia e gigantesca jovialidade... para esmagar os tronos adornados da Terra sob as sandálias que calçavam seus pés."

Talvez a maioria aqui já saiba. A Era Hiboriana ganhou sua versão de RPG de mesa também. Primeiro em pequenos módulos pela TSR, na época do AD&D e utilizando as regras do Advanced Dungeons & Dragons. Posteriormente a Steve Jackson Games lançou o GURPS CONAN (o único RPG de mesa do cimério publicado no Brasil, pela Devir), mas no começo dos anos 2000 é que o personagem teve, na minha opinião, sua melhor versão de RPG de mesa.

ImagemO RPG de Conan, que foi publicado pela Mongoose Publishing (e teve duas edições), é um RPG OGL que usa o famoso sistema D20. É um RPG do que se chama "Sword and Sorcery" (Espada e Feitiçaria), um sub-gênero da Fantasia Medieval, "low fantasy", caracterizado por um cenário mais brutal, violento e "depravado", onde a magia quase sempre é "maligna" e profana, a maioria dos inimigos são humanos, e os monstros são criaturas de pesadelo, quase sempre difíceis de se vencer. Não é um universo maniqueísta, apesar de existir feiticeiros bem vis e criaturas malignas, e pessoas boas, não é um gênero que se vê claramente a "luta do bem contra o mal". A maioria dos "heróis" nada mais são do que aventureiros que querem fazer fortuna, ou mesmo sobreviver, quase sempre mercenários, ou até mesmo assassinos e ladrões por excelência. Diferente dos mundos de D&D por exemplo, bem maniqueístas onde se vê claramente a luta do bem contra o mal, e essas duas forças são uma constante nos cenários desse RPG.

A Era Hiboriana é uma era mítica, porém brutal, onde apenas os mais fortes, espertos e sagazes se dão bem. Guerras explodem a todo o momento. A ida a uma taverna é quase sempre uma aventura, e se você não tiver cuidado será facilmente roubado ou apunhalado pelas costas (ou mesmo as duas coisas). Cultos malignos fazem sacrifícios para agradar a seus deuses profanos, e feiticeiros invocam terríveis demônios vindos de outros planos. As ruínas antigas são também grandes cemitérios para os incautos.

ImagemInfelizmente a Mongoose Publishing não publica mais o RPG do cimério, e os seus livros não são mais vendidos já há um tempo, nem mesmo em PDF. Mas a editora britânica fez um excelente trabalho com o personagem e a Era Hiboriana!! O sistema utilizado é uma variação do sistema D20. As raças são povos e etnias da Era Hiboriana: Cimérios, Himelianos, Hiborianos (divididos também em Argoseanos, Bossonianos, Gunderlandeses, hiperbóreos e tauranos), Hirkanianos, Khitâneses, Kushitas (divididos em Chagas e Ganatas), Nórdicos, Pictos, Shemitas, Tribos dos Reinos Negros do Sul (Darfari), Estígios, Vendhianos, Zamorianos e Zíngaros.

São 9 classes principais (no livro básico): Bárbaro, Fronteiriço (Borderer), Nobre, Nômade, Pirata, Erudito (Scholar), Soldado, Sedutora (o nome da classe é no feminino mesmo no original, mas também serve para Sedutores, apesar de ser bem incomum membros masculinos da classe) e Ladrão. As classes são baseadas nas histórias de Conan e buscam simular os vários tipos de personagem que aparecem nas histórias do Cimério. Em comparação com o clássico D&D, o Soldado seria um típico Guerreiro. O Fronteiriço (Borderer) equivale meio que à um Ranger, assim como também o Nômade seria um tipo de Ranger dos desertos. O Ladrão é bem típico "ladrão clássico", incluindo o famoso Ataque Furtivo (Sneak Attack). O Pirata e um misto de guerreiro e ladino, especializado em lutar em alto mar, navegar e fazer saques. Já a Sedutora (Temptress) é uma personagem única, mas bem presente nas histórias hiborianas. São, em sua grande maioria, mulheres que usam da arte da sedução para alcançar seus objetivos. A classe tem opção de adquirir Sneak Attack (ataque Furtivo), conjurar algumas magias ou mesmo ter habilidades políticas. E o Erudito (Scholar) é o "mago" do jogo. É a classe conjuradora, que realiza feitiços. Além dele somente a Sedutora (Temptress) tem opção de lançar magias, mas em menor número que o Erudito. O suplemento da 2ª edição, The Warriors Companion (O Companheiro do Guerreiro), traz ainda a classe básica Discípulo Marcial (Martial Disciple), que nada mais é do que um Artista Marcial, um típico "Monge" do D&D. Em alguns suplementos há ainda algumas Classes de Prestígio, em bem menor quantidade do que em outras linhas de RPG do Sistema D20 é claro.

As magias são baseados em Pontos de Poder e pactos, e são chamadas de Feitiçaria (sorcery).

ImagemO sistema é bem similar a maioria dos jogos D20, porém com várias manobras de combate. Um ponto que talvez seja desfavorável a Mestres e jogadores iniciantes merece menção: o livro não dá diretrizes de como distribuir os Pontos de Experiência, nem indica o Nível de Desafio dos inimigos (não há NDs). Existem as tabelas de progressão de Experiência e as estatísticas de inimigos (monstros, animais e humanos normais), mas não há informação de como proceder na distribuição da experiência, fica a cargo do Mestre dar os Pontos de Experiência como achar melhor. Para Mestres veteranos, principalmente que já jogaram D&D e outros sistemas, isso não é problema, mas para iniciantes pode ser. Quanto ao Nível de Desafio dos inimigos, pode-se usar os dados de vida deles como base, mas quem nunca jogou D&D não saberia pensar nisso. Mas existe um propósito de não se usar Níveis de Desafio ou mesmo um sistema "bem mecânico" de premiação de experiência: a Era Hiboriana de Conan é um cenário brutal, onde os mais fortes sobrevivem.

A maioria dos inimigos que os personagens jogadores vão enfrentar provavelmente serão humanos, mas vez que outra eles podem encontrar as criaturas mais monstruosas saídas dos piores pesadelos! Porém elas nem sempre estão ali para serem derrotadas. Em muitas histórias de Conan, o cimério não mata o monstro, ele foge ou simplesmente sobrevive ao encontro. Ao contrário de outros jogos de fantasia, onde é comum se matar pilhas de monstros, mesmo os mais poderosos, na Era Hiboriana os monstros são a "cereja do bolo", eles estão lá para dar um tempero especial e sobrenatural à trama, não são para serem jogados às pencas contra os jogadores. Muitas vezes os personagens irão superar os inimigos mais poderosos com a força bruta, é claro (com suas armas e/ou feitiços), mas às vezes a própria sobrevivência ao encontro é o grande prêmio! Como eu disse os mestres veteranos não terão problema com isso, lendo as estatísticas dos inimigos e criaturas eles terão uma noção se estão no nível do grupo ou não. E, creio eu, CONAN RPG não é um RPG para iniciantes. É um RPG maduro para jogadores maduros, provavelmente que já jogaram outros RPGs antes.

Os livros da 1ª edição são todos coloridos, porém na 2ª edição a Mongoose decidiu fazer os livros em preto e branco. Não existem quase diferenças da 1ª para a 2ª edição, é mais uma revisão e os suplementos da 1ª são todos compatíveis com a 2ª edição. Só o livro sobre feitiçaria que recebeu uma edição revisada, antes Scrolls of Skellos na 1ª edição, se tornou Secrets of Skellos na segunda. É um suplemento indispensável para os personagens que utilizam magia (Scholars e Temptress).

ImagemAs artes dos livros são espetaculares, com exceção de uma que outra ilustração que não é lá essas coisas. De maneira geral as ilustrações das criaturas do Bestiário da Era Hiboriana eu não curti muito. Mas a maioria dos livros são bem ilustrados. Muita coisa a própria Mongoose acabou criando para o cenário, por não ter informações oficiais sobre. Por exemplo, no suplemento sobre a Ciméria, eles descrevem a cultura do povo cimério e seus "clãs", claramente baseado nos celtas e escoceses (que descendem dos celtas).

Concluindo, Conan RPG é um ótimo RPG. Seu sistema é bastante intuitivo, de acordo com a temática de Sword & Sorcery. Conan RPG tem sim elementos Old School, mas está mais para "D&D 3.5" do que Old School. Apesar da liberdade que dá ao Mestre de premiar como quiser os jogadores com XPs sem dar diretrizes mecanizadas, além da inexistência dos NDs dos inimigos, ser claramente "Old School". Não pense que ele tentará ter regras para tudo, pois não terá, o mestre terá o papel de criar meios para interpretar ações que não foram previstas pelas regras, como era no RPG antigamente. Além de não ter um sistema que permita um maior roleplay, a sua própria interpretação e a criatividade deverão ser exploradas. Vale dizer, a criação do personagem é feita como uma história, ao invés de uma ficha simples com números e informações estatísticas. Há o uso de pontos de Sorte (ou pontos heroicos), e um sistema de magia aberto, que favorece o improviso e a criatividade, além de um foco na jogabilidade imediata e não no equilíbrio mecânico total do sistema.

Ou seja, é um RPG que eu gostei bastante e jogaria uma campanha nele. É um RPG talvez à frente de seu tempo, por isso, talvez, não tenha feito tanto sucesso na época de seu lançamento. Mas, para quem quiser, o jogo continua vivo. Você pode comprar uma caixa, praticamente nova, por cerca de US$ 60,00 no eBay, Amazon, ou na Noble Knights, ou mesmo jogar o seu retro-clone, o ZeFRS, que você pode baixar de graça ou mesmo comprar impresso na Lulu.

Por [url=mailto:seshomaru.sama@gmail.com]Carlos Eduardo da Silva Leal[/url].
"O topo da inteligência é alcançar a humildade."

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