[BLOG] [Conto] O Encontro com os Gigantes das Montanhas

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[BLOG] [Conto] O Encontro com os Gigantes das Montanhas

Mensagem#1 » 22 Ago 2014, 09:00

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Este conto foi uma romantização de uma aventura que meu personagem predileto participou junto com meus amigos, na Campanha Segredos das Areias, que jogamos até hoje, isso já faz 18 anos, muitos dos fatos ocorridos estão no texto, com algumas modificações para melhor apreciação, segue:
Eu sou Natanael Nabor, filho de Uziel Nabor e Ariel Nabor, irmão de Daniel e Rafael. Nascido em Villayet, pequena cidade localizada em Chult.

Eu e meus irmãos apesar de sermos halflings, somos devotos de Tymora, afinal fomos criados entre os humanos, e não temos nomes, costumes e crenças de nosso povo, inclusive nunca encontramos uma cidade halfling, nem mesmo uma pequena vila, nossos pais são de Gullykin que fica ao Leste da Estrada para Beregost, eles vieram para Villayet anos antes de nascermos, não sabemos exatamente o que os motivou a fazer esta grande mudança, mas supomos que tiveram motivos sérios para isto.

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Villayet era nosso porto seguro, e era tudo que nós conhecíamos até termos contato com um certo Capitão Allef, mas falarei mais sobre isso futuramente.

Tymora têm nos salvo de muitos perigos e contratempos, e uma das passagens que mais marcaram nossas vidas teve com certeza a sua intervenção, se não fosse a benção de Tymora, conhecida por alguns apenas como "Boa Sorte", certamente nenhum de nós estaríamos vivos para contar esta história.

Na pequena cidade de Villayet vivíamos bem, estava deixando de ser uma vila suja e fedorenta, para se tornar uma pequena cidade até certo ponto organizada e agradável. Acredito que tivemos uma infância difícil, mas a maioria dos bons momentos de nossas vidas foram pelas vielas e becos de Villayet.

Nossos pais aceitavam nosso estilo de vida matreiro, mas quando entramos para uma guilda chamada O Corte Profundo, não tivemos o devido cuidado para que eles não descobrissem, afinal não era uma agremiação comum de pessoas, descobrimos depois que eles não praticavam apenas o furto. Eu diria que somos sim foras da lei, talvez um dia já tenhamos ferido ou até mesmo tirado a vida de pessoas inocentes por conta de nossa ganância por jóias e adagas de alta qualidade, confesso que já fizemos coisas das quais nos arrependemos, mas hoje em dia raramente roubamos pessoas ou instituições, nem tiramos vidas de pessoas inocentes de propósito.

Inclusive, atualmente não fazemos mais parte desta guilda, mas não quero falar disso agora, quero falar sobre a última missão que realizamos para a guilda O Corte Profundo.

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Fomos encarregados de ir até as montanhas próximas à Villayet por um dos líderes da guilda, um homem chamado Lacrosse, era um homem de poucas palavras e logo nos passou uma missão, nos entregou uma estátua de marfim e disse:

- Pequenos, estão vendo isto? Vale uma boa quantidade de ouro, vocês farão um pequeno trabalho pra mim. Vai ser rápido e seguro, apenas entreguem aos gigantes das colinas ao sudoeste daqui, isso fica há cerca de um dia de viagem, tomem esse mapa. Vocês terão que entrar por uma trilha que sai da estrada que leva para a próxima cidade, eles irão fazer uma troca, lhes entregarão uma caixa, tragam ela diretamente pra mim, mas não abram de forma alguma essa caixa! Ou eu saberei e irão se arrepender! Deu pra entender? Alguma dúvida?

Nisso, meu irmão Rafael tomou a liberdade de questionar:

- Se vamos arriscar nossas vidas pra fazer uma simples troca, porque não podemos saber o que tem nessa bendita caixa? E se ela cair e se quebrar por acaso? Também vai punir a gente? É tão sigiloso assim que não podemos mesmo ter nem noção do que se encontra nela? Precisamos saber que tipos de cuidados deveremos ter com o conteúdo dela, é de quebrar?

Lacrosse com um olhar ameaçador disse apenas isto:

- Façam o que digo, e não serão punidos, não é de quebrar, mas não molhem a caixa! Possivelmente não é impermeável.

Muito a contragosto saímos e fomos direto procurar nossos amigos de longa data, aos irmãos Steel. Eles são os elfos chamados Sloan e Ryan, e assim como nós, sabiam ser bem sorrateiros, mas Sloan sugeriu convidarmos mais um membro para esta missão, o humano Remy Lebeau, quem ficou encarregado de negociar com os gigantes, ele usava uma flauta, e tocava na taverna de Villayet para ganhar uns trocados e estava buscando fazer um ganho, acreditamos que ele poderia ser útil, afinal não tínhamos ideia se os gigantes iriam nos entender, e Remy, que era de fora da cidade, parecia ser mais instruído.

Preparamos-nos para a viagem, e no dia seguinte, saímos assim que amanheceu, seguimos por cerca de um dia de viagem, conseguimos uma carroça e Sloan se encarregou de ser o cocheiro, ele entendia bem de cavalos e fez seu um bom trabalho, nos levou rapidamente para a subida das montanhas, para nossa sorte estava fazendo um bom tempo o dia inteiro, porém a estrada começou a ficar difícil antes mesmo do cair da noite, se tornando uma viagem bem cansativa, o balançar da carroça estava cada vez mais forte que o normal, a trilha que pegamos saindo da estrada principal estava bem esburacada, com muitas pedras, em vários momentos fomos forçados à descer das carroças, e ajudar os cavalos para sair dos buracos, até que desistimos, e tivemos que seguir a pé.

Com o mapa que a guilda nos forneceu, verificamos que não estávamos tão longe da tocas dos gigantes, e começamos a subir a trilha sinuosa. Era final de tarde ensolarada e a visão era boa, com grande esforço chegamos próximo da entrada de uma enorme caverna, a noite caiu rapidamente, e a luz argêntea de Selùne despontava no céu iluminando fracamente o ambiente.

E assim descobrimos que estes gigantes eram muito maiores do que as histórias que nossa mãe Ariel haviam nos contado ao dormir. Vimos duas formas enormes perto da entrada da caverna, elas tinham mais de quatro metros e meio de altura. Notamos que estavam acordados e alertas, e eram incrivelmente fortes, com braços mais largos que o torso de Remy Lebeau, carregando consigo um tronco que mais parecia uma árvore. Nesse momento Daniel falou se esforçando para falar em voz baixa:

- Ainda dá tempo de voltarmos...

E Rafael respondeu com um famoso mantra de Tymora:

- A sorte favorece os corajosos, não se preocupe.

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Pude notar que um deles usava um colar feito de ossos, não dava pra ter certeza, mas pareciam crânios de anões, ficamos um pouco chocados com aquela cena, e avaliamos a situação por bastante tempo, combinamos de nós pequeninos tentarmos entrar sorrateiramente na caverna para averiguar a situação, caso as negociações falhassem, mas ainda assim garantirmos que iríamos levar a misteriosa caixa, enquanto Remy tentaria dialogar com aquelas criaturas, e os elfos dariam um suporte à ele, com seus arcos e flechas.

Então o bardo se aproximou da entrada segurando sua flauta, ao avistarem o humano, aqueles seres gigantescos saíram de perto da entrada em sua direção, cada passada fazia o chão tremer sob seus pés.

Assim eu e meus irmãos passamos ao largo e entramos furtivamente na caverna, lá dentro rapidamente fomos recebidos por um cheiro forte e podre no ar, pudemos notar que haviam outros gigantes, e até filhotes de gigantes, que eram maiores do que nós. Todos estavam dormindo.

Lá fora, Remy tentava conversar com um dos gigantes, ele mostrou a estatueta de marfim, que era cravejada de jóias, ele tentou negociar a estatueta com o gigante, mas eles não conseguiam entender o que Remy dizia e ficavam cada vez mais irritados, rapidamente as coisas começaram a ficar caóticas, então Remy resolveu começar a tocar sua flauta, para talvez acalmá-los, mas isso só os deixou mais nervosos.

Rafael notou que lá fora as coisas não estavam indo muito bem, e vendo a tal caixa debaixo do braço de um gigante que estava dormindo profundamente, tentou atacá-lo bem em seu ouvido, mas talvez pelo nervosismo acabou errando e acertou apenas sua orelha, acordando-o, a criatura urrou de dor e rapidamente se levantou, deixando a caixa no chão, parecia que nunca mais ia parar de crescer. Daniel que estava atrás do gigante atacou-o com sua adaga mirando em cima da panturrilha, acertando com precisão fazendo jorrar bastante sangue daquela perna colossal, que o forçou a cair de joelhos com tamanha dor, quase caindo em cima de mim, por pouco me esmagando, fiz uma manobra rápida para desviar daquele joelho imenso, ao notar a caixa, peguei-a e comecei a correr para a saída.

As negociações falharam, e o gigante que usava o colar de crânios notou que estava sendo enganado, pois o bardo parecia estar usando um encantamento nele, porém a magia falhou, e imediatamente o colosso levantou seu enorme tacape e atacou Remy com toda sua força, acertando o bardo em cheio, quase esmagando-o contra o chão.

O sangue de Remy espirrou em Ryan e Sloan, que neste momento saíram da mata e lançaram várias flechas no gigante que esmagou Remy, mas para a surpresa deles, o gigante ignorou os ferimentos feitos pelas flechas, com poucas passadas já estava acima deles, ele girou apenas duas vezes sua clava. O estalar de ossos podia ser ouvido de longe.

Todos corremos para a saída, e Daniel ao olhar para trás sentiu grande terror ao notar que aquele mesmo gigante estava já de pé e correndo em nossa direção, e com muita raiva nos olhos, ao chegarmos lá fora, notamos que os outros estavam caídos, e os outros gigantes estavam vindo em nossa direção.

Foi tudo muito rápido, Daniel tentou lançar sua adaga especial de arremesso no olho do gigante com colar de crânios, e assim com sorte poderia continuar correndo em direção à trilha, mirou, e lançou, mas infelizmente errou, a adaga passou poucos centímetros daquela cabeçorra.

Aquele ser corpulento olhou para Daniel sombriamente, e usando seu porrete bateu em meu irmão com tamanha força, que o lançou 30 passos, barranco abaixo.

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Aterrorizados, ao vermos aquela cena, nos separamos, imediatamente joguei a caixa no mato ali perto e tentei escalar a parede da caverna. Rafael que estava mais atrás tentou correr, mas o gigante já estava saindo da caverna, mesmo mancando nos alcançou, ele esticou seu braço comprido e pegou Rafael com uma das mãos, olhou para mim e jogou-o com toda a força na rocha, tentando me derrubar, Rafael apagou na hora ao chocar-se contra a parede, eu que já estava quase fora do alcance do gigante, ouvi ele saltar, para meu terror senti dois dedos descomunais segurarem minha perna com muita força, ouvi algo estalar, e então vi o mundo girar, soube depois que ele havia me jogado para longe, não faço ideia de onde fui parar.

Só me lembro de ter acordado numa cama, dias depois, com um senhor de idade cuidando de mim e de meus irmãos e amigos, descobri que todos estavam vivos, mas com várias sequelas, Daniel ainda estava moribundo, ele ficou de cama por mais alguns dias, todos nós ficamos muito mal, mas ele estava pior, após este encontro, juramos sair da Guilda, só não morremos porque os gigantes rapidamente perderam o interesse em nós, e talvez acharam que estávamos mortos.

Quem nos salvou foi Folschy, um halfling como eu e meus irmãos, ele havia nos seguido, segundo ele, era de uma guilda rival, e ficou encarregado de nos vigiar, ele confessou que se compadeceu de nossa situação e nos levou um a um até a carroça colina abaixo, segundo ele, isso levou boa parte da madrugada. Me lembro de ter sonhado com Tymora, se é que foi um sonho... Estive perto da morte, segurei em sua mão, e ela me poupou, assim como aos outros.

Descobrimos que estes gigante além de serem muito perigosos não eram comuns nesta região, a guilda sabia que aquela caverna pertencia aos gigantes da colina, que é uma raça de gigantes que não é tão temerária quanto aos gigantes das montanhas ao sudeste, presumimos que houve alguma guerra entre essas raças e os gigantes da montanha acabaram dominando esta área.

Foi após este infortúnio que comecei a chamar Remy Lebeau de o Bardo Maldito, pois se ele tivesse feito seu papel, tudo teria dado certo.
"O topo da inteligência é alcançar a humildade."

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