A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

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Elara
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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#1 » 13 Set 2007, 14:23

Caros amigos,

De volta ao fórum, de volta aos amigos. E aceitando o pedido prontamente, começo este conto em dupla com o Dahak. A primeira parte, escrita por mim. A subsequente, escrita pelo próprio.

As postagens? Imagino que serão quinzenais. (Ainda não discuti isso com o Dahak lol)

Espero que gostem. E se possível, comentem, critiquem, xinguem, ou até elogiem.

Um chero pra todos,
Elara Leite

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A Batalha de Mìr
Capítulo I – Pesar


Tinha medo de começar a escrever. A usura das palavras o aborrecia imensamente. Mas era preciso. A música inundava o aposento real, cuja luz dos castiçais tremeluzia na escuridão, iluminando até o teto abobadado.

Começou a carta. Molhou a pena no tinteiro, desenhando em seguida, no papel, uma rebuscada caligrafia. Chovia, relampejava ao longe. Era uma noite fria dentro de si. Era uma orquestra de sons internos e externos. Os músicos continuavam a tocar. Este era o costume noturno daquela realeza: adormecer ao som de boa música. Todos dormiam, exceto Manfred e os habilidosos músicos.

Escreveu algumas poucas linhas. Súbito parou. Tomou do líquido contido no grande cálice ao lado da escrivaninha. Respirou aliviado. Continuou.

Era difícil tomar decisões dessa forma. Era difícil ser quem ele é. Os anos passaram, marejando o coração de Manfred com a doçura humana. Mas não seria possível escapar àquela escolha.

Suspirou. Pegou mais algumas gotas de tinta com a pena, escreveu mais algumas palavras. Como aquelas paisagens mudariam! Como aquele povo, seu povo, seria exposto a todo tipo de intempéries...! Leu o que estava escrito. A música silenciava em sua mente. Os olhos carregados de sono e pesar liam, enquanto o coração ensaiava uma prece solitária.

O cetro a seu lado parecia luzir a lembrança de gloriosos anos passados, de uma vida aventureira. De um povo feliz, vivo. Foram muitas gerações antes de Manfred.

Assinou a carta. Olhou para o mapa de toda aquela região diante de si, à altura de seus olhos, à frente da escrivaninha. Uma furtiva lágrima transbordou.

Levantou-se. Uma flauta solitária tocava melodias sibilantes. Andou pelo aposento. A chuva caía, acinzentando a noite. O músculo noturno pulsava através da malha celestial. Manfred sentou-se novamente.

Fechou o papel, dobrando-o em partes iguais. Colocou algumas gotas e vela e o selou com a marca do reino de Zaría.

A chuva intermitente enchia seus ouvidos, com pancadas súbitas em sintonia com seus pensamentos conturbados. Começava a clarear, mas a noite insistia, sem vontade de ir embora. Manfred precisava descansar, mas não havia tempo naquele momento. Urgia que o documento fosse entregue rapidamente.

Saiu da biblioteca. Eis que todos, mesmo os músicos, dormiam. Acordou um mensageiro real. Encaminhou a entrega da carta. Logo a seqüência de acontecimentos teria início.

Ao subir novamente as escadas, deteve-se por algum tempo à grandiosa janela, até avistar a saída do mensageiro, a cavalo, empunhando a bandeira de Zaría.

............................................................................................................................................

Dias depois, no reino de Eleadna, um documento é entregue nas mãos da rainha. O dia está ensolarado. Raios dourados atravessam as altas cortinas, que esvoaçam levemente ao assovio da brisa. Aka retira o selo e começa a leitura com olhos atentos:

Vossa Alteza,

Em nome do povo de Zaría, a nobreza deste reino agradece a gentil oferta de rendição. Entretanto, nosso povo é ágil em refuta-la, empunhando os arcos em defesa de nossas terras.

Vossa Majestade deve pensar, em seu âmago, que a expansão promovida pelo seu exército será ilimitada, porém, suas demarcações terminam onde as nossas começam.

Alteza Aka, só conflitaremos entre nós se o vosso intuito de invadir o que conquistamos persistir. Temos alianças valiosas, conforme é de seu conhecimento.

Atenciosamente,
Rei Manfred


.............................................................................................................................................

Alguns dias se passaram em silêncio, até que a cabeça do mensageiro de Zaría fosse deixada às portas do castelo do Rei Manfred. Estava para se iniciar um conflito sangrento nas terras de Mìr.
Última edição por Elara em 29 Out 2007, 16:28, editado 3 vezes no total.
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Elara
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Mensagem#2 » 13 Set 2007, 15:25

Lederon,

Sugestões aceitas. Relutei um pouco em colocar "teto abobadado", porque sempre me dá a impressão de que o teto na verdade está abobado. (mas isso é coisa de loira mesmo).

Sobre o troço da tinta, também tive a impressão de que ele iria bebê-la, quando escrevi. Isso se dá pelo fato de ele ter bebido do tal cálice anteriormente. Quanto a essa passagem, pra mim tanto faz como vc sugeriu ou como estava. Porém, como diz o ditado: o cliente sempre tem razão. lol

Chero!
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Ermel
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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#3 » 15 Set 2007, 14:42

Hoho!
Quanto tempo não leio algo seu Elara!
Felicidade me toma só pelo fato de ser teu!
Gostei muito das passagens em que mostra o dificil tormento que é escrever, sabendo as suas consequencias, pois creio que ele sabia que ela realmente não aceitaria um tratado de paz - mostrado claramente em todo seu nervosismo -.
Agora, espero ler a iminente guerra que se aproxima, e, obviamente, espero ancioso pelas partes dos grandes autores e colegas. Coisa grande ha por vir!
Desculpe outrora não ter lido, mas tenho estado tão ocupado, tambem ha um pouco de preguiça, não nego!
Parabens por essa bela introdução!
(adorei a parte: assoviando entre as cortinas!)
"And the question is
Was I more alive then than I am now?
I happily have to disagree
I laugh more often now
I cry more often now
I am more me!"

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Lobo_Branco
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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#4 » 15 Set 2007, 15:47

Elara, minha querida, a qnt tempo!!!!! Estava com saudades de ver algo pelas suas mãos, ainda bem que minhas ânsias não se estenderam muito.

Indo ao texto, gostei muito - apesar de curtinho. Serviu como uma boa intro ao drama todo que estará por vim, imagino.

Como disseram a parte do rei ficou angustiante, achei até meio truncado de se ler. A resposta da rainha foi esperada. "mata-se o mensageiro, ato maior de guerra"

Estarei acompanhando. Abraços!
"— Nós também éramos crianças, e se eles nos deixaram órfãos, os deixamos sem filhos."(

Óglaigh na hÉireann)


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Mensagem#5 » 17 Set 2007, 01:35

Lalaaaaaaa
Você é incrível, sabia?

Adorei o começo. Tou super empolgado e cheio de idéias para a continuação ^^
Mas terei de me esforçar para fazer algo que fique a altura^^"

Acho que valeu muito termos mudado a temática =P

E por mim, quinzenalmente tá ótimo!

Obrigado por aceitar mais essa empreitada comigo.
E obrigado a todos que vieram nos dar suporte ^^"

Dahak Out
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Mensagem#6 » 17 Set 2007, 11:12

huaihauaoihauoiahuoihaoia
Ai saudades da nossa Preciosa. Está perdida em algum dos muito backups da Spell =/
Acho que tenho só uns vestígios dela no pc :chorando:

Mas olha, eu creio ter mais facilidade para falar de tempos contemporâneos. Vai ser um mega desafio este um oara mim ^^"

Beijos!

Dahak Out
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Mensagem#7 » 18 Set 2007, 14:08

Lederon,

Mas nesse caso, reconheço que tem razão sim^^`

Lady Draconnasti,

Nham, se ficou tensa antes do enervamento, então está blz =D

Dark Lady,

Brigada pelos elogios, moça! Também tou ansiosa pelo desenrolar!

Ermel,

Nossa!!!! Que maravilha você por aqui! Felicidades mil, só de te ver de volta. Mui agradecida pelos elogios! Vamos aguardar o Dahak. =P

Lobo Branco,

Puxa, você sabe que gosto de textos curtos, mas nas próximas partes vou me esforçar para me alongar mais. Quanto a parecer truncado, vc diz isso sob que aspecto?

Dahak,

Bobagem, são seus olhos. =)
Que bom que essa primeira parte foi frutífera para sua imaginação! Fico muito feliz de estar à altura das suas idéias. E quanto ao esforço, depois de "A Preciosa", certamente vc não terá grandes dificuldades, como diz a Nasti.
Ainda sobre A Preciosa, minhas partes estão guardadas. Se quiser remasterizar, podemos conversar depois.

Um chero pra todos!
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Mensagem#8 » 19 Set 2007, 01:29

Você tem todas suas partes de A Preciosa?
\o/

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Mensagem#9 » 19 Set 2007, 12:02

No máximo quinta que vem, que é o prazo que tenho, hauahauahua
Mas tentarei dar uma acelerada nisso.

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Mensagem#10 » 03 Out 2007, 12:54

Bom, é chegado o dia (mas ainda guardo uns minutinhos na manga para últimos acertos e revisões:P). Em verdade, deveria ter postado quarta passada, mas como o fórum ficou fora do ar, achei melhor segurar mais uns diazinhos pra manter a cronologia.

Acertei com a Elara que as postagens serão semanais agora.

Agradeço a todos que nos acompanharam até aqui e já agradeço antecipadamente aos que lerão minha parte e aviso: tá bem chatinha.


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Mensagem#11 » 03 Out 2007, 21:23

Hum... chibatadas em quem atrasar nos contos coletivos? Isso é inovador... e promissor!!

Assembléia para implantação, já!! Queremos justiça! Queremos cumprimento de prazo!!

Hhuahauhauahuahauhauhauha

Elara, adorei a carta escrita pelo Rei... muito bem traçada, em linhas diretas e objetivas. Só senti um pouquinho a falta de descrição dos cenários, durante o primeiro capítulo. Mas acho que é porque jogo na mesa de um mestre viciado em "ambientação de cena"...

Luis, estamos com você!! Não deixe aquele willpower DC 17 estragar os seus planos!!!


^^
O Guia do aventureiro para dummies:
- Se os goblins começarem a brigar por espólios enquanto te perseguem, reze.

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Mensagem#12 » 03 Out 2007, 22:47

A Batalha de Mìr
Capítulo II – Espaço
por Elara & Dahak


Não havia outro primeiro recurso para Manfred que não tocar no assunto das fortes alianças que Zaría tinha na manga. Talvez pudesse refrescar a memória de Aka, impor-lhe certo respeito. Mas aquela “carta-resposta” evidenciava tudo, a partir daquele instante os povos de Mìr estariam novamente em guerra.

O lúgubre cheiro de sangue e a fumaça de aço virando espada eram cartas comuns nessas terras. Mìr não era a Pangéia de seu tempo, mas abrigava em si parte da especialidade de outros povos, aqueles a alguns mares de distância.

Uma lenda, rogada pelos mais antigos elfos, diz que Mìr fora formada após um grande cataclismo que rasgou as terras dos mais distintos e distantes reinos conhecidos. Os mares e as tempestades completaram a catástrofe, arrastando esses voluptuosos fragmentos para águas muito instáveis. Teria sido o fim para todos aqueles desafortunados, porém, magos onipotentes de algumas dessas terras uniram-se em magia e puderam interceder na questão, fundindo aqueles outrora fragmentos – ao menos os que foram possíveis salvar – em uma terra vasta e respeitável.

Não se sabe se a lenda é ou não verdadeira, mas há registros de atividade vulcânica, de esforço conjunto para redefinição do curso de um rio e a presença de uma miscigenação sem igual. Humanos, Elfos, Trolls e muitas outras raças compunham a cena.

O acentuado contraste, inclusive, era tido como razão para tantas guerras. Não se ouvia muito sobre guerras entre dois reinos da mesma raça, normalmente ocorriam entre raças distintas, com maior incidência para aquelas com sangue guerreiro.

Eleadna, o reino setentrião de Mìr, era composto fundamentalmente por humanos, com uma pequena parcela de Orcs que foram anexados em guerras antiqüíssimas. Em sua natureza mais primordial estava o instinto guerreiro e conquistador.

Por outro lado, Manfred se via regendo um povo sem tradição ativa em guerras. Seu povo, apesar de fundamentalmente humano, não possuía homens de batalha nativos, apenas um punhado de cabeças que participaram dos bastidores de um ou outro exército, mas como enfermeiros, agricultores, cozinheiros e estrategistas.

Zaría formou uma série de alianças militares através da vocação de seu povo, através do empréstimo de sua mão de obra qualificada. Em troca, ganhou a cobertura de uma série de outros reinos.

Um único rio atravessa e da vida a Mìr, sua nascente é no extremo sul, enquanto falece as margens das montanhas que cercam Eleadna. Dessa forma, Manfred supunha que as pretensões de Aka podem ser referentes a posição estratégica de seu reino, que é o primeiro da região norte.

Sendo uma região pacífica, era um importante ponto de encontro para comerciantes, representantes de outros reinos e cultural. Possuía uma agricultura farta e uma tradição exímia de criação de animais, tudo utilizando os melhores recursos tecnológicos, que é outro traço de Zaría, ser um centro de ciência.

Manfred precisava proteger seu reino e faria de tudo ao seu alcance para tal. Chamou alguns desenhistas para reproduzirem no papel a resposta que lhe foi enviada. Com o desenho em mãos, enviaria para seus aliados.

Aka não perde por esperar...
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Mensagem#13 » 03 Out 2007, 23:02

Discordo, não ficou chata a sua parte. Serviu para ambientar os leitores, nos deixando a par da geografia, coisa de importância crucial em relação a guerras, assim como a cultura e a historia dos povos. Ou pelo menos, parte delas.

Agora uma pergunta, como Mir, não tendo exercito próprio, conseguiu manter-se? Pelas descrições, são terras férteis, de grande interesse a qualquer um, isso faria que ela enfrentasse constantes invasões - até mesmo dos seus "aliados", não? Sofrendo desse mal se conseguisse manter sua autonomia, ela por osmose, formaria guerreiros.

Bem, de mais a mais, meus parabéns! Ainda bem que decidiram por torna-lo semanais, quinzenais demora de mais...Pessoas de memória fraca q nem eu, tende a esquecer das partes anteriores depois de algum tempo grande...rs

Abraços!
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Mensagem#14 » 03 Out 2007, 23:20

Moça, pode sim!

Ent, é um prazer revê-lo, meu grande amigo!
Desculpa mas falhei feio no teste, hauahauahaua, na oitava tentativa eu desisti!

Lobo, brigado pelos elogios.
É uma partezinha bem descritiva mesmo, para nos dar base para avançarmos.

Falando da agricultura, Zaría não tem exército justamente por contar com a proteção de outros exércitos dos reinos de Mìr. Não são as terras que são super férteis, mas aquele povo que sabe tirar um super proveito dela. Ao menos foi assim que imaginei :P


Abraços!


P.S.: O teste em que falhei foi na produção do mapa de MÌr ¬¬


Dahak Out
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Mensagem#15 » 03 Out 2007, 23:29

Falando da agricultura, Zaría não tem exército justamente por contar com a proteção de outros exércitos dos reinos de Mìr. Não são as terras que são super férteis, mas aquele povo que sabe tirar um super proveito dela. Ao menos foi assim que imaginei :P


Isso não faz as terras menos férteis. Mas isso tbm seia um motivo. Seria mais proveitoso tomar o reino do que manter seus exércitos lá a mando de outros. Tipo, uma questão de soberania. Sei lá, eu vejo assim. :b

Abraços!
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