A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#46 » 07 Mar 2010, 23:39

A Batalha de Mìr
Capítulo VI – Corrompido
Por Elara e Dahak


Rumores, relatos, histórias das conquistas de Eleadna eram trazidas pelo povo, eram trazidas pelo vento. Aqueles que não se punham sujeitos aos caprichos de Aka eram dizimados. Os sobreviventes, apesar de poucos, incumbiam suas feições bruxuleantes de contar ao mundo os horrores e a imponência daquele exército.

Por todos os cantos via-se e ouvia-se sobre as sucessivas empreitadas vitoriosas de Eleadna. Os ventos brindaram até os olhos de Sharonte com uma amarga marcha implacável das forças inquisitoras.

Heráldica não era uma das habilidades de maior acuidade do domador de vermes, mas isso não o impediu de constatar que mais um dos brasões de Mìr havia sucumbido. Apesar de não saber a qual reino pertencia, o brasão era empunhado com desdém e deboche, sempre sobrepujado pelo altamente disseminado brasão de Eleadna.

Sem se ater muito bem para qual direção o exército tomava, o domador sabia que, ao menos por ora, eles não rumavam para Danma ou Zaría. Para não correr o risco de ser visto montando seu verme, restava aguardar que o exército se afastasse, dormisse ou fosse distraído.

Um evento comum nas proximidades das dunas é a formação de tempestades de areia. De súbito, uma começou a se formar, acelerando a movimentação do exército e impedindo qualquer trabalho de reconhecimento visual.

Esquecendo-se da normalidade do evento, o domador atribuiu-o a sorte ou a uma luz divina, não importava muito, bastava o fato do vento ter erguido areia o suficiente para que ele corresse seguro para sua montaria.

A viagem para casa era rápida. Logo nas primeiras horas da manhã o verme já se encontrava nas áreas proximíssimas da realeza.

Sua majestade, Eh-Rif, já se punha em pé aparentemente havia um bom tempo. Absorto em marcações e nos dizeres de outros emissários, a presença de Sharonte tardou alguns momentos até ser notada.

Um escriba improvisava um amontoado de papéis como um livro de registro de guerra. Nesse livro encontrava-se um relato dos últimos acontecimentos dissidentes, das movimentações do exército de Eleadna e outras informações relacionadas.

Percebeu-se que a estratégia de Aka dividia suas forças em três consistentes facções. A primeira, e hoje a menor delas, era a de proteção da capital. A segunda foi denominada pelo povo danmínico de facção de patrulha. A esta cabia proteger as instalações móveis de Eleadna, seu acampamento. A terceira foi tida como itinerante. Esta é a facção que efetivamente que guerreia. E a cada nova conquista, a patrulha se desloca, ocupando parte da nova região anexada.

Era uma grande estratégia que permitia rotatividade entre os soldados patrulheiros e itinerantes.
A patrulha só se desloca e avança para os territórios que foram vencidos e anexados, fruto do trabalho dos itinerantes. A cada nova região anexada, as duas facções transeuntes trocavam de postos.

Os soldados que pertenciam a patrulha partem agora em missão itinerante. E os soldados que foram itinerantes na última frente de batalha passam a compor a patrulha e assim sucessivamente.

Os homens que Sharonte avistou deveriam, portanto, estar em um momento de encontro entre patrulheiros e itinerantes, ou ao menos era assim que os danmínicos supunham.

Outra anotação importante e surpreendente era sobre o aparecimento progressivo e periódico de homens e mulheres vestindo armaduras em Zaría.

Eh-Rif, de posse desses conhecimentos, deixou uma cópia do livro com sua esposa e partiu com a outra ao lado de Sharonte e outros nove domadores de verme para as terras de Manfred.

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Os damnícos chegaram a Zaría no começo da noite e logo se depararam com Fevicz organizando uma estranha movimentação com barris. Seu semblante era de exaustão plena, mas sua dedicação mantinha o trabalho orquestrado.

O braço direito de Manfred exibiu um sorriso tão logo avistou os visitantes em seus vermes. Ficou um pouco desconsertado, é verdade, mas o sorriso era o traço mais evidente.
Após os devidos cumprimentos, Eh-Rif tinha muitas perguntas, mas foi rapidamente levado para a sala de reuniões

Fevicz já se encontrara voltando para a estranha atividade com barris em meio aos homens e mulheres amardurados.

Assim que adentrou o recinto onde encontraria Manfred, Eh-Rif notou uma figura cabisbaixa, cercada de odres e um forte cheiro de álcool no ar. Foi custoso acreditar que aquele era a entidade maior do reino mais prodígio e austero da Mìr.

O senhor de Danma acudiu Manfred que mal conseguia se postar em sua cadeira. Eles trocaram algumas informações e Eh-Rif entregou os registros de guerra, foi quando ouviu um balbuciar ininteligível e arrependido.

- Não entendi Manfred...
- Ee...eu fiz a escolha certa.
- Que escolha?
- Você viu meu amigo Fevicz e alguns barris?
- Vi, vi sim.
- Estamos estocando água com alguns daqueles barris. Para nós e para os demais aliados...
- Estocando água? Como assim?
- Estamos aproveitando que a água que chega aos eleadnos passa por nós...
- Aproveitando? Querem secar o suprimento de água deles?
- Não...
- Então eu não entendi.

Houve um momento de silêncio, então Manfred suspirou e prosseguiu:
- Estamos matando parte de Mìr.
- Como assim?
- Com os barris de trás estocamos água. Com os da frente... Estamos envenenando a água.
Houve um novo silêncio.
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Elara
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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#47 » 08 Mar 2010, 08:17

Nhaaaaa...

Vai ser difícil bolar uma continuação à altura!

Confesso que fiquei um pouco surpresa com a estratégia de Zaría. =)

Adorei a continuação!

Dentro de uma semana devo estudar as partes anteriores e escrever algo para postar.

Mìr não pode morrer!

XD

Chero!
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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#48 » 09 Mar 2010, 20:05

Aaaai, gostou?
Depois de dois anos né, tentei me esforçar. Mas devo confessar (e o Ent não me deixa mentir) que a estratégia da água é uma das minhas prediletas e que pensei em usar deeeesde os tempos do rascunho do mapa de Mìr :ops: :linguinha:

E nem me vem com essa de ser difícil superar porque você faz isso num piscar de olhos XD

Beijo Lala.
Brigado por acreditar =)
Life. Live.

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A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#49 » 02 Jun 2010, 16:34

Demorou mas saiu! A inspiração - e o trabalho - não me permitiram postar antes.

Desenho da rainha Kallina no meu DA http://e-lara.deviantart.com/art/Queen- ... -166212226

Apreciem!

Chero!

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A Batalha de Mìr
Capítulo VII – Sangue
Por Elara e Dahak


Pirus e Intravius, reinos de agricultura e pecuária prósperas em Zaría, já haviam caído para o poderio de Eleadna. No céu, a lua avermelhada prenunciava o derramamento de mais sangue, ora encoberta de nuvens, tornando o ambiente mais sombrio, ora mostrando-se totalmente, em uma sinistra dança com os demais corpos celestes.

Kallina, rainha da Crácia, recebia os prenúncios da divindade de seu reino com um tanto de temor, pois sabia que, mediante os rumores e ilhas de fumaça que se levantavam ao longe na paisagem, havia algo prestes a acontecer em suas terras.

O povo da Crácia, entre humanos, elfos e meio-elfos, era familiarizado com a arte de produzir jóias de requinte, comercializadas com todos os reinos de Zaría. Um ou outro cidadão do reino decidia, também, se dedicar às artes da magia e feitiçaria, sendo a própria rainha Kallina muito hábil no controle de elementais e magias de cura.

A Lua era reverenciada por todos. Visitantes logo percebiam essa reverência nos ornamentos, decorações e vestimentas no reino, o que fazia o povo de grande mentalidade religiosa. Outrossim, era um povo alegre e essencialmente noturno, que apreciava festas e tavernas, sendo por isso um ponto obrigatório de passagem de bardos e aventureiros.

E foi dessa forma que Kallina soube do que se tratavam os presságios. Um grupo de aventureiros, de passagem por aquelas terras, solicitou a entrega de um pergaminho chamuscado, com o selo de Zaría, encontrado nos arredores do reino. Partes do documento haviam sido queimadas, mas a essência era entendida pelos que liam os trechos de caligrafia rebuscada: havia uma guerra em andamento.

Kallina solicitou que os mais hábeis feiticeiros e magos fossem convocados urgentemente, para dar andamento às defesas de seu reino e, ainda mais importante, d’A Aliança.

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Eh-Rif parecia não acreditar no que estava ouvindo. Suprimentos de água potável só poderiam durar até duas semanas. Então, o que Manfred estaria imaginando com essa estratégia? – pensou.

— Quanto tempo acha que esse conflito irá durar, meu bom amigo?
— Creio que não há de se estender muito. – respondeu Manfred, parecendo tomar alguns ares de sobriedade.
— E com base em que diz isso?
— Morrendo ou com sede, os habitantes de Eleadna não podem lutar. E a área dos reinos do Norte é composta essencialmente por montanhas, tendo pouco potencial hídrico. – ele se esforçava para falar sem atropelas as palavras, mas sua voz saia um pouco trêmula.
— Pelas nossas anotações de guerra, Pirus e Intravius já caíram e, à medida que povos são aprisionados e escravizados e seus reinos são subjugados, seus suprimentos de água também ficam à disposição do inimigo. – ponderou Eh-Rif.
— O que esperava que eu fizesse? Sem anotações de guerra, sem o retorno dos mensageiros que enviei aos reinos d’A Aliança, não tinha condições de saber o que acontecia nos reinos ao redor. Estive, durante dias, totalmente ilhado! – disse, enquanto jogava o cálice dourado na parede, irritadiço.
— Isso foi antes de nos encontrarmos. Agora, suspenda esse envenenamento, aproveite as informações que lhe entregamos e deixe que eu e meus homens usaremos a velocidade dos vermes de Damna para disseminar as mensagens de guerra por todo o reino.
— Tomarei um banho e eu mesmo cuidarei disso dentro de algumas horas. Agora, amigo Eh-Rif, siga de volta para o seu reino. Um soberano só abandona seu povo brevemente, então, volte e proteja sua esposa e seus súditos. Cuidarei de analisar suas anotações.

Eh-Rif despediu-se com uma vênia. Horas depois, Fevicz receberia novas instruções e procedimentos de guerra.

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Em Damna, era possível sentir a apreensão das mulheres alojadas nas tendas ao redor do oásis principal do reino. Ao redor, centenas de armadilhas estratégicas haviam sido armadas sob a areia, de modo que apenas os habitantes do local saberiam escapar delas.

A princesa Najma se banhava à luz do luar, quando sentiu uma brisa enregelante, que a obrigou a vestir sua túnica e observar ao redor. Ao longe, um grupo de aves carniceiras esvoaçava, demonstrando que muito sangue já havia sido derramado. Seus longos cabelos negros escorreram pelas costas morenas enquanto preparava-se para descer ao salão real, onde o jantar seria servido.

— Onde está papai? – perguntou, ao encontrar sua mãe jantando sozinha.
— Viajou até Zaría para encaminhar os cadernos de guerra ao soberano daquelas terras.
— Ah, e ele ousou não me contar!
— Sim, afinal, sabia que você poderia querer ir com ele.
— E o que haveria de mas nisso? Fui treinada para montar o verme, sei usar a falcione e as lanças de meu povo, isso não faz de mim habilitada para ir?
— Você aqui, deste lado das armadilhas, é a melhor defesa que temos.
— Estou sempre em segundo plano neste reino.
— Todos terão o tempo de mostrar seu valor. E, além do mais, alguém tem que governar e, mais ainda, gerar um homem que possa ser o rei destas terras no futuro. Eu e seu pai já estamos velhos demais para isso.
— E eu, nova demais. Ainda tenho uma guerra para lutar. – comeu sua última fatia de carne e deixou a mesa, sob o silêncio de sua mãe.
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Re: A Batalha de Mìr - Capítulo VII [por Elara e Dahak]

Mensagem#50 » 04 Dez 2010, 00:37

Mais uma ilustração para Mìr! Tá no meu DA, para quem quiser acessar.

http://e-lara.deviantart.com/#/d345r4f

Antes do fim do ano, o Dahak está prometendo um novo capítulo.

Chero!
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