O Porquê Da Métrica

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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#61 » 08 Set 2010, 16:13

_Virtual_Adept_ escreveu:
Não acredito que nenhum confeiteiro que se presa começou a fazer bolos perfeitos a partir suas próprias idéias, sem nunca ter seguido as receitas alheias em suas primeiras fornadas.


Destaque para o "primeiras fornadas".

Seguir receitinha de bolo para poesia é interessante, para começar. Mas quando a literatura já evoluiu há anos disso e você continua insistindo na mesma receita, é porque estagnou e nunca aprendeu uma receita nova.


Estou falando de pessoas e não de escolas. Qualquer um que comece a escrever hoje ganharia muito se puder ter o suporte da tradição para lhe ajudar nos primeiros passos. Eu que aprendi ao acaso achei tudo mais difícil do que se tivesse aprendido com alguma receita. É muito mais fácil escrever uma trovinha em redondilha que escrever um poema em verso livre. E quando você fica craque nas trovas, escrever verso livre é um deleite ainda maior. Sem contar que é uma liberdade tamanha poder escolher entre escrever com ou sem metro do que ficar preso na ignorância de só saber escrever de uma forma.
"Muito brincaram comigo,
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#62 » 08 Set 2010, 16:14

É por isso que digo, comparações toscas não levam a nada. Gente, é muito simples, não se trata de parnasianismo. Aliás, o que diabo isso tem a ver com os parnasianos? O metro ja existia antes deles.
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#63 » 08 Set 2010, 16:16

Léderon escreveu:
Sr.Personna escreveu:Não acredito que nenhum confeiteiro que se presa começou a fazer bolos perfeitos a partir suas próprias idéias, sem nunca ter seguido as receitas alheias em suas primeiras fornadas.

E de onde veio a primeira receita?

A questão não é IGNORAR as receitas, Personna, é usá-las como base para fazer algo diferente. É o que eu estou tentando dizer, mas parece que estão me entendendo como sendo contrário à métrica/fórmula. Não estou difamando ou jogando fora, o que eu digo é que ela é importante, mas como base, não como produto final.


Pensando dessa maneira concordo contigo. As primeiras receitas se fizeram em tentativa e erro. Chegaram a formulas estáveis que foram repassadas não por obrigação mas porque eram boas e úteis. Essa base de farinha e ovo é relativamente estável em todas as receitas o que vem a mais que é a inovação.
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#64 » 08 Set 2010, 16:18

GoldGreatWyrm escreveu:Ahm... um dia alguem invetou uma receita nova.

Aliás, acho que todos os dias tentam receitas novas.

E minha vó faz bolo sem ver a receita. Se ela quer mais liga, toca mais farinha. Massa mais pesada? Taca-lhe ovo.

Isso é muito normal. :putz:


Eu aposto minha barba que sua avó aprendeu uma receitinha básica farinha-ovo sobre a qual ela varia os demais ingradientes e a quantidade. o metro é isso. Uma base para se criar em cima, uma base sólida e utilíssima.
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#65 » 08 Set 2010, 16:20

_Virtual_Adept_ escreveu:Corrija-me se estiver errado, mas não eram os parnasianos que só faziam poema com receitinha?


Ah, não necessariamente. Nem todos os poemas parnasianos continham formas pré-estabelecidas. Eles faziam uso do metro, claro, mas há muitos poemas com padrões criados por eles. E a bandeira deles não foi tão somente a forma, mas o tema abordado. Antes deles, essas "formas" ja existiam, convencionadas por muitos poetas. E, gente, alguns escritores clássicos escreveram sem metro.
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#66 » 08 Set 2010, 16:26

_Virtual_Adept_ escreveu: Engraçado que, em momento nenhum, eu disse que a métrica é inútil. Mas que ela é hipervalorizada, ah, isso é.


Creio que não se trata de uma hipervalorização mas de uma tentativa de devolver a ela o espaço que lhe foi tirado, o metro foi extremante desvalorizado. Por isso qualquer valorização do mesmo é visto como uma praga parnasiana.

Tá, e daí? Estou falando contra a estagnação, e não contra a métrica.

A estética modernista que o pos-modernismo não abandona de todo também é uma estagnação, aceita e sacramentada pelo status quo.


Corrija-me se estiver errado, mas não eram os parnasianos que só faziam poema com receitinha?

Visão pueril dos versos parnasianos. As receitinhas que eles seguiam eram muitas vezes inovações criadas por eles. Pesquisavam e desenvolviam novas estruturas poéticas, estudavam os efeitos sonoros de cada tipo de rima, de cada tipo de verso. Isso é seguir receita ou inovar esteticamente?
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#67 » 09 Set 2010, 13:51

é complicado
o problema é quando o acesso aos primeiros passos lhe é negado
não se aprende mais a tecnica tradicional de poesia porque está é dada como inútil, ae está o problema

liberdade não é negação.

bom depois eu posto outros coisas
além do mais, o parnasianismo não é a única escola que escrevia antes do moderninsmo
o simbolismo usava verso livre e classico por exemplo.

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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#68 » 09 Set 2010, 15:15

Eu concordo.

E outra. Acho que as críticas que o Personna cansa de repetir aqui na Spell não são compatíveis com a pretensão dos spellianos. Sério, ou por acaso alguém aqui quer revolucionar a arte da poesia?

Não precisa ser 8 ou 80. Tudo bem que se você quiser ser um cânone, inovar na forma e no conteúdo, precisa saber e conhecer sobre o que já foi feito para saber onde e como inovar. Mas se a sua pretensão é só a de escrever alguns versos, externar o que sente, qual o problema?

Os argumentos, de ambos os lados da questão, estão perdidos porque ninguém sabe direito o que o outro tá defendendo.

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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#69 » 09 Set 2010, 19:35

Sem mencionar que isto aqui é um fórum cujas regras permitem certo nível de debate. Até agora, vi debate de opiniões, partidarismo, mas nenhuma interferência no processo criativo de outrem. No máximo certa antipatia.
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Re: O Porquê Da Métrica

Mensagem#70 » 10 Set 2010, 17:00

Madrüga escreveu:
Se é preciso o suporte da tradição nos primeiros passos, quando você vai começar a escrever de verdade?
E outra, quando você vai perceber que os outros não têm a obrigação de "ficar craque nas trovas" para escrever poesia?


Bom, eu gosto do que eu escrevo... E aliás tenho agradado públicos distintos com meus versos. Tanto leigos quanto outros poetas. Mas de fato eu ainda estou nos primeiros passos do metro, não consigo fazer um repente de improviso e bem artiulado. Mas creio que já domino o suficiente para criar meus próprios contraines para além da metrificação clássica, seguindo para isso uma orientação do OULIPO que para mim é o que há de mais inovador na poesia contemporânea. Alias, o senhor conhece o OULIPO? Se não conhece eu recomendo muito!

Madrüga escreveu:Mas você concorda que você não tem o direito de se meter no desenvolvimento artístico dos outros? Que não há só um caminho a seguir?


Minhas críticas aos poemas que leio aqui ou em outro lugar raramente estão ligadas ao metro propriamente dito. Costumo criticar tendo como parâmetros elementos mais gerais da poesia como é o caso da criatividade, tema, ritmo, forma e da sonoridade. Não venho aqui apontando o dedo em riste e mandando: metrifique! E sim costumo fazer uma crítica apontando em que pontos poderia ser melhorado o poema.

Questiono o que o autor pretendia com as inovações e transgressões que fez à norma culta e a linguagem em prosa. Eu entendo o poema como uma forma de transgressão à norma da prosa. Onde o poeta torce a linguagem para dizer coisas que não poderiam ser ditas na linguagem corrente, ou se pudessem não seriam ditas com a mesma intensidade.

Para mim é poema quando um texto está melhor expresso em linguagem poética do que poderia ser expresso em prosa corrente.
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