Parodeando Bocage e Azevedo

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Geleiras
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Parodeando Bocage e Azevedo

Mensagem#1 » 25 Ago 2010, 13:34

SONETO DOS MOÇOS PERDIDOS

Um mancebo no jogo se descora,
Outro bêbedo passa noite e dia,
Um tolo pela valsa viveria,
Um passeia a cavalo, outro namora.

Um outro que uma sina má devora
Faz das vidas alheias zombaria,
Outro toma rapé, um outro espia...
Quantos moços perdidos vejo agora!

Oh! não proíbam pois ao meu retiro
Do pensamento ao merencório luto
A fumaça gentil por que suspiro.

Numa fumaça o canto d`alma escuto...
Um aroma balsâmico respiro,
Oh! deixai-me fumar o meu charuto!


Soneto – Paródia

Um mancebo na erva se demora,
outro bêbedo passa noite e dia,
um tolo pr’o partido viveria,
um toca guitarra, e esse namora.

Um outro que uma gente má ignora
faz da “NET”, no fim, sua família,
outro toma solvente e se vicia...
Quantos moços perdidos vejo agora!

Oh! Não proíbam pois, no meu estudo
esses versos de ultrapassado ofício:
Velharias literárias que me meto.

N’uma balada um canto d’alma escuto,
de Azevedo invejo seu artifício!
Oh, deixai-me acabar o meu soneto.



"Saiba morrer quem viver não soube"

Meu ser evaporei na lida insana
do tropel de paixões que me arrastava.
Ah! Cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
em mim quase imortal a essência humana.

De que inúmeros sóis a mente ufana
existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta e si não coube,
no abismo vos sumiu dos desenganos.

Deus, ó Deus!... Quando a morte à luz me roube
ganhe um momento o que perderam anos
saiba morrer o que viver não soube.
(Bocage)

E aqui a sátira:

“Saiba colar quem estudar não soube”

Ao ver desesperei, a leva insana,
de notas a entregar, que me arrastava.
Há! Cego eu cria, há! Mísero sonhava,
que a média no final, seria-me humana.

Em infantes idéias meu ego ufana,
existência falaz me não dourava.
Porém percebo a natoreza escrava
do estudo! E minh`alma então se dana.

Coordenadores, meus fatais tiranos...
Mas no ócio, os estudos não me coube,
seguro apodreci, nos desenganos.

Antes que o reprovar, a luz me roube,
ganhe momentos os que perderam anos,
saiba colar quem estudar não soube!
(Marcel Angelo

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