Meus dois segredos...

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rsilverblood
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Mensagem#1 » 23 Fev 2008, 08:04

Abaixo, os meus dois mais importantes segredos sobre o que eu aprendi na vida.

Se você esperava algo engraçado, ridículo, e totalmente sem nexo, lamento mas esse texto não tem absolutamente nada disso.

(também publiquei isso no meu MSN Spaces)

Revelarei o que me demorou a vida toda para descobrir (longos vinte anos), e cinco anos de procura ativa (isso quer dizer que procurava sempre a resposta dessa pergunta, descansando só as vezes).

O primeiro segredo, aprendi com a morte do meu cachorro na Quinta dia 14. Descanse bem, meu amado cão.

Precisei da morte mais traumática imaginável do meu amigo mais próximo, nos meus braços morrendo por envenenamento (por sapo) entre outros detalhes que vocês não precisam saber, para descobrir então a única coisa que é eterna.

"Nada nesse mundo é para sempre... exceto o amor. E você nunca esquece... você NUNCA esquece..."

Pessimistas, fatalistas, e outros podem dizer que nada é eterno. Uns dirão deus, outros dirão o universo. O amor é eterno. Enquanto nós estivermos aqui, de coração quente e batendo firme, o nosso amor durará. Pode parecer uma frase meio gay... mas aposto então que você tem amor pela escolha de sua sexualidade... ou estou enganado? Todos temos o que valorizamos. Exceto quando a depressão mais profunda nos atinge, e então tentamos o suicídio desesperadamente. Mas fora essa exceção, sempre temos amor por algo.

E quando descobrimos o que mais amamos, pode ser tarde demais. Demorei nove anos para descobrir que não precisava procurar em escolas ou na internet por um melhor amigo. Tinha o melhor amigo no meu quintal, pronto e ansioso para brincar comigo. Sempre esperando qualquer atenção. Sempre amando qualquer companhia que lhe dava. E eu o perdi antes de poder demonstrar o quanto o amava. Para os de coração frio, e os que achavam meu coração de aço... acreditem, se sofrerem uma perda assim, saberão exatamente do que digo. Não desperdiçe um segundo da sua vida não sabendo quem ou o que ama. Descubra. Demore um minuto, ou uma semana, pense profundamente nisso. E demonstre o que sente. Se você não fizer, uma hora dessas pode perder o que amava e não sabia, e vai se arrepender a vida toda. E descobrirá da pior maneira, como eu, que o amor é eterno, e mais nada o é.

O segundo é um segredo que gastei cinco anos me perguntando, toda vez que as coisas não me iam bem. Me perguntava: "Qual o segredo de uma boa vida?..."

Descobri numa clínica psiquiátrica na qual estava internado por um mês, após cinco anos me repetindo a mesma pergunta. O segredo é uma metáfora. Eu só cheguei a entender a metáfora horas depois. A metáfora ( que possui três grandes significados) é: "Saber fechar um olho, e abrir o outro."

A primeira interpretação: "saber fechar o olho ferido e abrir o olho saudável" - significa que você precisa "saber o que observar", não olhando somente para o que te acontece de ruim (e por conseguinte, se lamentar a respeito), mas saber passar seu tempo olhando para o que te acontece de bom.

A segunda interpretação: "os olhos são caminhos" - significa que você precisa "saber escolher" com cuidado suas ações e palavras. Sua vida é feita delas, e as erradas podem te levar a uma vida de arrependimento e dor - a pior vida, e acredite: eu sei isso de primeira mão.

A terceira interpretação: "os olhos são caminhos para o cérebro" - o cérebro, no caso, representa a verdade. Significa "saber chegar até a verdade" e também "saber ser objetivo". Se você viver de mentiras, um dia elas irão se desfazer, e você se verá num mundo arruinado, onde só desconfiança e miséria prosperam em sua mente.

O que tudo isso significa? Que você deveria aprender a valorizar aquilo que ama, e deveria usar esses três "saberes". Esse último segredo é o meu segredo da felicidade, que transcende religião, cultura, valores, camada social... enfim, transcende tudo. Porque? Oras, é simples: porque isso atinge o mais interior do núcleo humano referente a felicidade. E também um segundo motivo: porque após cinco anos fazendo a mesma pergunta, eu tinha que chegar numa resposta boa alguma hora. Agora, brincadeiras a parte, por favor - lhe peço: viva esses dois segredos. Passe-os adiante para quem você quer que os tenha. Pode ser um(a) amigo(a), um(a) amante, um(a) parente... mas passe isso adiante. Se não o fizer... bom, esse segredo que te ensinei morre contigo. E esses que você valoriza provavelmente não terão acesso a esses dois segredos.

Porém, a decisão é sua. E seja qual for ela, não viva com culpa. Culpa trás arrependimento, e isso uma vida de lamentos constantes que nunca lhe deixarão atingir a felicidade plena.

Eu mesmo não consegui atingir a felicidade plena ainda. Porém, ela não está tão longe agora quanto já esteve. E a vida, com esses segredos em prática, parece brilhar como o sol nascente.

Viva e seja, pleno e satisfeito.
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Mensagem#2 » 23 Fev 2008, 08:38

Obrigado, Eltor.

Essa taverna será sobre filosofia séria, e uma forma trascendental de suas aplicações. Nada de filosofia que diz "deus trás felicidade", porque não funciona para algumas religiões e os ateus.

Esse é o desafio constante: dizer algo que se aplica a todos de forma sensata na vida prática, de forma filosófica.
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Raposa
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Mensagem#3 » 29 Fev 2008, 14:00

Parece aquelas coisas de corrente e spam... mas nao deixa de ser verdadeiro...

Prefiro os topicos serios >.o
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Mensagem#4 » 29 Fev 2008, 19:08

Obrigado. Estou apelando para as pessoas para espalharem esse conhecimento. Me demorou toda a vida para chegar a esse conhecimento, e não desejo que ele suma quando eu morrer. Quero um mundo melhor, e para isso eu divulgo esses meus dois segredos.

Uma outra coisa que digo é que o amor nunca morre. Você não deixa de amar alguém porque quer. Nem ama alguém porque quer. O amor é uma entidade, ou várias entidades. Elas se ligam a você uma hora, e podem sair outra hora. O amor dentro de alguém pode ser alimentado, porém. E portanto, o seu primeiro amor nunca morre, apenas pode não estar mais contigo, mas em algum lugar ele estará, disso pode ter certeza!

Vamos lá pessoal, um fórum sério também ajuda. Nem só de bobagem vive o homem ("ou a mulher" , para as feministas e defensores do "politicamente correto")...
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Corvo da Tempestade
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Mensagem#5 » 07 Mar 2008, 23:49

Resumindo seu 1º pensamento: Só damos valor as coisas depois que a perdemos. (pelo menos assim endentendi)

Bem sobre o segundo, sim as escolhas são suas. Quando eu costumo dar conselhos eu começo dizendo que nem sempre o que é melhor pra mim será pra você. Ou melhor eu raramente digo "você TEM que fazer isso". No máximo deixo a pessoa deduzir o que ela deve fazer.

Meus pesames a seu cão. Sei que não há melhor amigo no mundo que eles
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Mensagem#6 » 08 Mar 2008, 00:39

Obrigado, Corvo. Eu não dido que fazer isso é necessário. Só que para ser feliz, esse é um dos caminhos mais fáceis. São coisas que são altamente recomendadas para qualquer um.

Outro: uma coisa que não morre além do amor é a esperança. Tentei com tudo destruir minha esperança usando toda técnica mental e truque que sabia, e não consegui. Só voltou e se afirmou mais forte. A esperança é amante do amor. O amor surge primeiro. É a faísca. A esperança é o combustível. E a felicidade é a chama, a conseqüência da união dos dois. (o ar seria a pessoa... existem pessoas mais rarefeitas e outras menos rarefeitas)
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Mensagem#7 » 09 Mar 2008, 09:17

Obrigado. Sabedoria deveria ser comparilhada, devido ao fato que é de difícil obtenção. É como garimpar ouro num rio profundo.

E Dragão de Bronze, se já agia assim, tem muitíssima sorte ou sabedoria, pois uma vida assim é uma vida bem mais satisfatória e completa.
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krmirim
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Mensagem#8 » 31 Mar 2008, 09:53

Totalmente correto nas afirmações, saber valorizar aquilo que ama é algo necessário a todos nós, legal o texto e garante boas reflexões.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38526156 (minha comunidade de RPG, participem a vontade)

http://rpgparainventores.blogspot.com/ (blog da comunidade)

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rsilverblood
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Mensagem#9 » 31 Mar 2008, 14:10

^.^

Mas sabe, estou perdendo toda minha razão, toda minha sabedoria, toda minha lógica e inteligência. Estão sendo drenados de mim. Meus neurônios estão sendo queimados. O medicamento que tomo para controlar minha mente instável estão sendo rejeitados pelo meu corpo. O mundo inteiro se vira contra mim. E os fragmentos de mim mesmo que ainda sobram se agarram a qualquer superfície tentando sobreviver de alguma maneira.

Sabe que nunca me senti pior, mais desesperado.

Eu rejeitando a mim mesmo.

Todo o meu amor e esperança estão se voltando contra mim, e estão me consumindo.

Eu fico lutando para salvar uma amiga minha da dor perpétua de seu coração. Passo horas e horas usando meu cérebro e alma a 1000% tentando lutar por ela, dando tudo que posso. Uma amiga minha, quase que irmã. Corpo queimando, mente se abalando, alma se rachando...

Estou perdendo a mim mesmo, e sabe, não tem absolutamente nada que posso fazer a respeito.

Eu me achava um rei entre homens pelo que era...

HA! Sabe o que é engraçado? Quando tudo isso que você se orgulha, que te faz feliz, tudo isso que te dá estabilidade é subitamente arrancado debaixo de seus pés, e você se encontra num fosso ainda mais fundo que o do Leviathan.

Sua alma se desfaz aos poucos, você encontra a loucura (não essa loucura que poetas falam a respeito... me refiro a loucura real, que destrói famílias e mentes e os transforma em crianças ou bebês permanentes)... e os pequenos fragmentos de você querem lutar para sobreviver, e não tem onde se agarrar.

É como afogar nas próprias lágrimas. E sabe, meus olhos estão lacrimejando agora. E estou rindo descontroladamente. Socorro, estou me perdendo para sempre.

E sabe, não sentir falta de absolutamente nada nesses meus últimos momentos é a única paz que tenho.


EDIT:

Com os resíduos de sabedoria que tenho, digo isso:

- Sobre o amor verdadeiro. -

Amor verdadeiro não se conquista. Isso é o primeiro engano que TODOS cometem. Acham que "conquistaram" o amor de suas vidas. Acham que atingiram isso sozinhos.

ERRADÍSSIMO!!

Amor verdadeiro não é uma conquista: é um presente! Você o entrega a alguém, como se fosse o tesouro mais precioso seu - porque, de fato, o é.

Amor verdadeiro não pensa em si em primeiro lugar. Pensa naquele que se ama em primeiro lugar. Você pensa o tempo todo, "como posso fazê-la se sentir um milésimo de um porcento mais feliz?", e moveria montanhas uma colher por vez para conseguí-lo.

Amor verdadeiro faz o que fará aquele que se ama feliz. Não necessariamente o que aquele que se ama QUER, mas o que esse mesmo(a) PRECISA para ser feliz.

Nunca irá dizer "não", a menos que com esse "não" algo mais positivo do que o negativismo do "não" seja fruto de dizer essa palavra.

Amor verdadeiro nos consome a alma. Nos faz fracos com o tempo. E chegamos próximo a loucura quando despejamos tanto de nossa alma para o fogo consumir.

Amor verdadeiro perdoa mil milhares de vezes, e esquece os "pecados". Também não se importa se o outro mente o trái, pois se isso a faz feliz, o amor verdadeiro o deixará. VOCÊ não precisa gostar, mas se seu amor for verdadeiro, continuará fazendo a outra pessoa feliz.

Seria "só um amigo" se fosse necessário. Só para ver o sorriso dele(a), ou fazê-lo(a) tê-lo.

O amor e a esperança são as únicas duas constantes para a felicidade.

- Sobre o amor em geral. -

O amor é como um espírito que nos vem jovem, pequeno, e faminto. Ele vem de uma pessoa, então tem ligação com a mesma. Assim conseguimos nos relacionar com as pessoas. O amor (não necessariamente romântico) nos dá duas opções: alimentá-lo, ou deixá-lo morrer de fome. Se o alimentarmos, ele cresce (mesmo que não percebamos, e mesmo que a intensidade do sentimento não aumente). Se o deixarmos morrer de fome, ele vai embora. Mas ele não diminúi nem morre. Ele estará sempre nos circulando como um tubarão circulando sua presa. E voltará quando o chamarmos. De certa maneira, o amor é como um cão fiel.

- Sobre a esperança. -

A esperança é aquilo que nos faz olhar pro horizonte, sem ter de nos preocupar com a pedra no sapato de agora. É o que nos faz abrir os olhos para possibilidade, é o que nos faz aceitar que nossa janela da verdade pode estar errado.

Esperança é crer que há possibilidade. Mesmo que essa possibilidade seja pequena, muito, MUITO pequena, somos capazes de acreditar nela. Podemos ver tudo acontecer, mesmo sob a visão mais distorcida e cruel (para conosco mesmo) do que queremos que aconteça.

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E aí, quem você ama de verdade, quem você apenas ama normalmente, e o que lhe dá esperança?

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rsilverblood
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Mensagem#10 » 03 Abr 2008, 23:12

Obrigado, de verdade.

Muitas pessoas nesse fórum pensam que sou um chato, que nada compreende da vida e do ser humano. Acredite, eu conheço mais do que minha parcela de verdades do ser humano. E infelizmente, vi que o amor verdadeiro não foi feito para mortais. Destrói aquele que se ama, e destrói o amado. Eu sinto isso na pele.

Amor verdadeiro é como oxigênio puro. Queima. E queima MESMO.

Estou verdadeiramente apaixonado por uma garota que me trata como lixo todo santo dia da minha vida. Ela é cheia de defeitos, e amo esses defeitos. Amo ela inteira, e ela só me trata mal.

Minha alma até enlouqueceu por ela, e minha mente também mais do que apenas um pouco, e bem mais que aquela loucura poética de uma palavra só.

E agora mesmo me deixou. É... sou para sempre um pobre infeliz. E se soubessem como isso dói, nunca mais envolveriam alguém em um relacionamento romântico. Não vale apena.
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Mensagem#11 » 05 Abr 2008, 12:34

Hahaha... o mundo dá voltas, mas já passei do ponto sem retorno. Agora estou num trem maluco, rumo ao mistério. (metáfora para De Volta Ao Futuro 3 e a música Crazy Train do Ozzy)

Só há um jeito de perpetuar o amor verdadeiro: se ele for recíproco. Porém, ainda não testei isso, portanto, só é uma teoria. Ainda não conheci outra pessoa trouxa ou dedicada o suficiente para amar verdadeiramente.
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rsilverblood
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Mensagem#12 » 16 Abr 2008, 19:07

Já passou tudo. Outros capítulos seguem adiante.

Agora, só preciso me afastar da depressão e desejos suicidais. (a memória dela já saiu, mas acho que as boas memórias que estavam lá antes da hipnose sustentavam algo... e esse "algo" está se demolindo! X____X )
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corinthiana
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Mensagem#13 » 23 Jul 2008, 17:59

Bacana o texto, e fala a mais pura verdade.

Algumas coisas só são possíveis aprender de si mesmo. Uma delas é que, se a vida não for realmente vivida, se cada minuto que temos não for aproveitado como queremos, não há mais volta. A vida é uma só e é bem curta por sinal, não há o que fazer senão curtir cada momento da vida.
...então bora pilhar a aldeia mais próxima, pq eu quero diversão! hauuahu
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Assumar
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Mensagem#14 » 20 Fev 2009, 22:13

Lendo o texto de abertura, lembrei-me do seguinte excerto que gosto demais:

"Parecera-me tão linda por tê-la visto assim tão fugazmente? Em primeiro lugar, a impossibilidade de nos determos junto de uma mulher, o risco que corremos de nunca mais tornar a encontrá-la, dão-lhe repentinamente o mesmo encanto que a determinado país a doença ou falta de recursos que nos impede visitá-lo, ou aos dias que nos restam por viver a idéia da batalha em que certamente pereceremos. De modo que, se não fora o hábito, deveria a vida parecer deliciosa aos seres que estivessem ameaçados de morrer a todo instante, isto é, todos os seres humanos. De resto, se a imaginação se sente arrastada pelo desejo do que não podemos possuir, o seu impulso não é limitado por uma realidade perfeitamente percebida nesses encontros em que os atrativos de uma mulher que vemos passar costumam estar em relação direta coma rapidez da sua passagem. Por pouco que escureça, e contanto que o carro vá depressa, no campo ou na cidade, não há torso feminino, mutilado como um mármore antigo, pela velocidade que nos arrasta e pelo crepúsculo que o afoga, que não nos arremesse, de uma volta da estrada ou do fundo de uma loja, as frechas da beleza, essa beleza que seria de perguntar se neste mundo consiste em algo mais que na parte de complemento que a nossa imaginação, superexcitada pela angústia, acrescenta a uma mulher que passa fragmentária e fugitiva." (Proust - À Sombra das Raparigas em Flor)
E o sino chora em lúgubres responsos: "Pobre Spell! Pobre Spell!"

Um homem que é bom pq não pode ser mau, não é realmente bom. No momento em que se tornar forte, será mau; dê-lhe o poder e imediatamente estará corrompido (B. S. Rajneesh, A Semente de Mostarda)

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Re: Meus dois segredos...

Mensagem#15 » 25 Out 2010, 02:42

Me disseram pra desenterrar isso aqui.

Mas é de um mau-gosto terrível, aviso. Para quê, tocar num tópico tão antigo pra dizer tão pouco, ou retocar com um pouco de filosofia barata?

Pois bem.

O que eu tenho a dizer sobre o amor, nunca tendo amado nada mais do que por breves momentos, tendo a sobriedade de observar o puro materialismo do ato, da sexualidade à flor da pele, e me decepcionado terrivelmente com os desfechos dos relacionamentos alheios, tenho a dizer dois dedos de prosa aqui.

Sabe, dizer pra alguém que viver a vida intensamente é a única maneira certa e boa de viver é como dizer a um faminto que coma, que um sedento sacie sua sede, que um doente se cure... Há centenas de boas metáforas pra isso.

Mas a vida não tem manual de instruções. Viver intensamente pra alguns significa se jogar em um caminho de auto-destruição às custas de paixões, de desejos mundanos de prazer, ou mesmo de amores platônicos e caricatos onde o amor é uma peça de decoração, um peão no tabuleiro do jogo dos amantes.

E pra minha surpresa, não existe jeito errado de viver intensamente. embora me entristeça muito que todos os sonhos realizados sejam recheados de deformidades e imperfeições quando deixam as mentes que os desejam, são todos sonhos com direitos iguais perante as leis dos pensamentos.

A vida te dá várias opções de realizá-los, junto com seu preço e duração. Um parque de diversões onde o melhor brinquedo está sempre com a maior fila e você só dá umas duas voltas, antes de escolher outro ou voltar ao final da fila.

Ou não brincar nunca mais.

Não me entristece saber que são finitos os sonhos, como nuvens ao cruzar o deserto, ou que mesmo não consigam matar a sede de seus sonhadores, mas que o dia-a-dia os torne enferrujados e tolos como brinquedos velhos nas praças da vida.

Você pode enjoar antes mesmo de sua segunda volta, então você quer sair mas não pode. E o sonho se torna longo, um pesadelo, uma tragédia.

Já me enraiveci muito com canções que insistiam que ninguém que nunca amou não tem como saber da dor que é amar.

É tolice achar que é necessário quebrar uma perna pra saber o que é mancar. Ou mesmo que é imprescindível comer esterco pra saber que gosto tem.

Muito embora o amor leve muito a arriscar alto, apostar muito de olho no lucro e não no prejuízo, eu me acautelei por demais e cultivo o lema do senhor Rod Stewart, "Se você ama alguém, se realmente ama uma pessoa, deixe a livre".

Porque prender o pássaro na gaiola pra poder ouvi-lo cantar todo dia, encher um aquário de peixes pra poder admirar sua beleza e pôr uma aliança em um dedo a caráter de criar um vínculo permanente além dos juramentos perante uma divindade é apenas uma cerca no carrossel que brincamos pra que não entre mais ninguém.

Viver preguiçosamente enjoa. Viva do jeito que quiser, mas viva intensamente, dizem entre guimbas de cigarros e garrafas vazias. Nada mais óbvio e presunçoso que achar que quem vive diferente do meu ideal vive errado!

E presunção e obviedade não são coisas boas pra alguém que se diz sábio de algum assunto, né mesmo?

Mas não é minha intenção ofender. Somente mostrar outro ponto de vista, mais um dentre tantos.

Desses sim, podemos silenciosamente observar aos outros se divertindo enquanto a lua vigia os casais enamorados girando nos brinquedos do parque de emoções de nossas vidas.

Ah, meu brinquedo quebrado, que saudades tenho do tempo que ainda o tinha no terreiro de minha imaginação.

Não tem conserto.
E eu esqueci de você.
Não sei mais como funciona.
E não sei mais se sei brincar.

Ou será que fui eu que quebrei e você ainda me espera pra brincar?
Ou fui eu que te quebrei e fui punido com o esquecimento, o vazio de sua ausência?

Mas chega por hora. Não é lógico ter saudades do que jamais houve, ter lembranças de algo que não aconteceu.

E ainda assim dói, como se tivesse sido amputado e cauterizado de mim.

Só me resta fingir que perdi o que nunca tive, para não perder o pouco de graça que insisto em ter de viver.

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