Vila de Yeizij

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Seth
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Vila de Yeizij

Mensagem#1 » 27 Mar 2009, 16:38

Não sei se essa é a versão correta, mas vamos lá:

Yeizij (pop 150, apróx )

Vista do alto, de um mirante das numerosas colinas em volta, Yeizij parece um pedaço de tinta verde desbotada entre bosques e dunas de areia. De fato, ela é caracterizada pela presença de ambos os tipos de terreno físico: numa zona de transição entre o deserto e as savanas, a pequena vila reúne características de ambos os universos. Seu terreno é apropriado para o cultivo de determinados tipos de alimentos, como o aipim ou certas variedades de batatas. Gramíneas e frutos sobrevivem pouco nessa região, exceto pelas acerolas.

Mas a grande riqueza da vila não é, de forma nenhuma, o seu solo, mas o que está acima dele. A palmeira do tipo Barb’na ganha espaço, cada vez mais, nos mercados. Primeiro, pelo produto mais precioso, a sua seiva intensamente aromática, usada em perfumes e cosméticos de qualidade, sem matar o vegetal; segundo, a fibra de suas grandes folhas, tão forte quanto a de cordas três vezes mais grossas. Terceiro, os frutos tem uma polpa deliciosa e que mata a sede dos viajantes; mas de sua semente é possível extrair uma tinta amarelo-ouro magnífica. Em quarto lugar, no estio, quando as folhas ficam amareladas, o tronco esxuda uma goma de cor creme, que serve de base a especiaria denominada caril. E a vila de Yeizij está ao lado de um bosque com um rico suprimento dessas árvores.

Há pouco tempo elas eram taxadas de quase inúteis. Pouco se sabia sobre a tinta, o perfume e a especiaria; de resto, a madeira é pouco apropriada à construção, e apenas pelo seu fruto e fibras ela era estimada. Mas com seus outros usos a todo o vapor, a comunidade se converteu em um fornecedor constante dos mercados das grandes cidades em outras terras.

Além da palmeira, a fauna é surpreendentemente rica: órix, antílopes, hienas, leões, lebres e outros animais são facilmente encontrados. A vila tem uma forte tradição de caça – mesmo porque seu fundador criou nessa região uma cabana (um solar seria mais apropriado) de caça, no qual tinha o hábito de passar várias semanas – ao fim da vida, meses – atrás da emoção de correr com seu carro e flechar um órix quando ele se inclina para o bote de seus grandes chifres.
A vila é provida de água pela “Oterok”, nome que designa um grupo de seis fontes imensamente ricas em água, que dão origem a um rio, a um lago e a diversos riachos e lagoas nos arredores. As suas margens é que crescem as melhores árvores de perfume e de frutos – assim como são nas terras mais agrestes que nascem as melhores fibras, e as mais magníficas tintas.

História:

Yeizij é uma vila muito jovem – talvez mal faça um século desde o surgimento da primeira casa. Em primeiro lugar um antigo alto funcionário, Is’ar Pasha, construiu um solar ao lado das fontes, tendo assim uma estação de caça pessoal. Ao longo dos anos restantes de sua vida era hábito do efêndi passar grande quantidade de tempo na prazerosa atividade, até o ponto que ordenou que vários de seus escravos e agregados habitassem na região para manter a casa em boas condições. Mesmo assim, era uma vila com talvez quarenta pessoas na totalidade.

Após sua morte, o segundo filho de Is’ar Pasha, Memhed Agha, veio habitar em caráter definitivo a região. Os mais velhos, que ainda se lembram das conversas dos que já eram anciões em seus das de meninice dizem que o Agha temia algo em sua terra natal – o suficiente para renunciar aos confortos em troca da vida em uma terra bravia. De qualquer forma, ele deu liberdade a todos os escravos e construiu o primeiro grupo de casas de pedra naquela rua onde antes as habitações eram de barro e pau-a-pique. Ao morrer, décadas depois, dizia sentir verdadeiro amor pela região que governava. Foi também ele quem criou o templo dedicado aos espíritos regentes da terra – numa época de seca, visando aplacar os seres que morreram e tiveram de se ocultar na bruma matutina depois da chegada dos homens. Até hoje o Sacerdote do templo realiza um festival anual onde o drama da seca e da morte é representado, e sacrifícios são oferecidos em nome da paz entre o mundo visível e invisível.

Hoje é o neto de Memhed, Uktar Agha quem governa o solar. Homem autoritário, mas ambicioso e bom administrador, ele vê um futuro brilhante para a pequena vila perdida no meio do deserto. Talvez por isso insista em assinar sempre com o nome “Pasha” argumentando que essa dignidade é transmitida a todos os descendentes do titular. Talvez por isso ele tenha reformado o solar com materiais trazidos de longe, e talvez ainda pro isso tenha organizado uma guarda de quinze homens fortes para aplicar suas leis. De qualquer forma ninguém questiona sua sabedoria em tornar a árvore um produto interessante, e em proteger os habitantes locais em face dos mercadores estrangeiros. Hoje ele pensa, mesmo, em organizar uma caravana para levar as mercadorias para seus mercados, provando que pouco depende dos estrangeiros.
Outro fato que torna Uktar um governante menos unânime é as dificuldades que ele tem com o sacerdote. Seu avô nomeou um primo para governar o templo, garantindo, inclusive, uma guarda cerimonial de quatro homens regida por um Xerife. Ora, quando da organização da guarda era intenção de Uktar dissolver os homens do Xerife, mantendo alguns praças sempre no local. Seu colega não aceitou, e começou a atuar de certa maneira contra as políticas de Uktar Agha. Hoje ele de certa forma lamenta o ocorrido, mas pretende sair por cima da situação – de qualquer forma. O progresso de Yeizij pede isso – e ele é o progresso.

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