Tecnologia DRM nos ebooks

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taverneiro
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Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#1 » 15 Jul 2013, 20:00

Olá pessoas,

esta discussão é um desmembramento de um dos tópicos do forum de RPG sobre livros eletronicos. A discussão do tópico original é sobre os livros em si. As diferenças de diagramação, adaptação do conteúdo ao formato (e vice-versa).

neste tópico a discussão é um pouco mais política: a tecnologia DRM e o que a torna tão polêmica?

Para quem não sabe o que é DRM, aqui vai um link da wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_rights_management

Minha opinião: embora eu entenda o lado dos editores e empresas que estão por trás do mercado editorial, muito me desagrada as restrições impostas sobre um arquivo que foi legalmente adquirido. Apenas recapitulando minha ultima opinião, eu acho qeu se eu compro um livro eu posso fazer dele o que eu quiser em termos de portabilidade. Eu posso carregá-lo em uma mochila, ou debaixo do braço. Posso emprestar para um amigo, repassar para alguém (sebo, biblioteca, etc) e assim por diante. Como pode um arquivo digital ter menos portabilidade que um livro impresso?

Indo mais além: a tecnologia DRM dificulta o acesso a pessoas que possuem certos dispositivos. Embora minoritários, ainda assim é um incomodo tremendo ter que recorrer a codecs ilegais (que ferem patentes de software no seu país de origem e outros problemas legais) para exibir arquivos que foram legalmente adquiridos (com DINHEIRO). A longo prazo esta política pode minar até mesmo obras de domínio público que, no fim das contas, estariam presos a esta tecnologia e o e-book se tornaria o grande vilão, dizimando o livro em papel sem que suas liberdades (literalmente adquiridas com sangue de muitos escritores ao longo dos séculos) fossem plenamente asseguradas.

É uma questão de acesso a cultura e como o mercado milionário das grandes editoras e livrarias estão se apropriando do que não é deles.

Com o tempo aderi a filosofia envolvida na sua criação e expandi para outras áreas, como no download de músicas e livros. Hoje não pirateio nem livros e nem músicas, comprando sempre, mesmo em mp3. Só não fiz isso ainda com séries e filmes, pois tenho procurado opções e tenho lido sobre sites como o Netflix.

Esta frase eu tirei do eusouchico do outro topico. E jogo o contra o argumento de que o DRM não ajuda em nada o combate da pirataria. Quem quer fazer coisa errada, VAI FAZER COISA ERRADA. Explico: já existem maneiras de quebrar o DRM e provavelmente bastaram poucas semanas para que um moleque de 14 anos o fizesse. Combater a pirataria é mudar a mentalidade de quem publica e de quem consome. O mundo é dinamico e rápido e serviços como Netflix, Steam, Youtube, Spotify estão atendendo esta demanda de maneira MAIS EFICIENTE que a própria pirataria. É com isso que se combate a pirataria. Não com restrições multilando liberdades que já existem.

A prova disso: a Apple é a que mais lucra no mercado de musicas. Todas as músicas são lvres do DRM: http://www.apple.com/pr/library/2009/01 ... Store.html
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#2 » 15 Jul 2013, 22:28

Então, eu concordo que o DRM não resolve da problema da pirataria, por que quem quer piratear faz isso de qualquer jeito. Palavras do Mr. Pop no Botequim de pirataria: "eu ofereço o Old Dragon (Fast Play) praticamente inteiro e de graça e ainda assim tem gente piratando o livro em sites de download."

A questão é que acho que o DRM serve mais para os autores e editoras se sentirem seguras com seu investimento, pois por mais que sempre haja uma maneira de quebrar o DRM não é todo mundo que tem paciência de correr atrás. Sobre o mercado de livros digitais existe mais um fator que deve ser considerado: um dos motivos que a luta contra a pirataria de músicas e vídeos é "mais tolerada" (e a Apple ter lucro com ele, mesmo com a quebra de DRM) é o fato dos responsáveis por estas mídias ganharem de outras formas. O livro digital não tem isso.

No fim, se o livro for pirateado, a editora pode decidir não investir mais nele e ela vai ter recebido de volta o que gastou na produção, mesmo sem lucro, e quem sai perdendo é o autor, que não lucra e tem sua obra tirada do catálogo (auto publicação é bem complicado ainda por aqui e não é para todos). Comprar livros com DRM e mantê-los assim, politicamente falando, é uma forma de respeitar o autor e garantir que ele terá um retorno de seu trabalho (pois nem todos são o Tio George que tem receita de outras fontes e cada centavo acaba contando).

A limitação de aparelhos também não é algo de outro mundo. Como falei no outro tópico o Adobe DIgital Editions restringe a três, mas quantas pessoas realmente vão ter mais aparelhos do que isso, que fiquem carregando para ler? No caso de roubo é fácil descadastrar o aparelho roubado e autorizar outro, sem ônus para o comprador do livro em todo o processo, só o custo de alguns cliques e toques.

Agora, essa coisa da posse do livro é difícil. Por mais que eu defenda, isso me causa estranhamento ainda, pois devido a natureza dos ebooks, você não os "possui", pois eles estão atrelados a sua conta da Amazon/Kobo (existe como tirar legalmente o arquivo deles com os softwares da Amazon/Adobe/Kobo, mas não de maneira direta, clicando em um botão de download). Acho que esta relação de posse é algo que deve mudar, pois tomando como exemplo algo que me aconteceu: um amigo pediu que eu mandasse para ele o PDF do Espírito do Século para ele ler e postar algo no meu blog (ninguém fala em emprestar PDF, mesmo que você tenha gastado para tê-lo, é sempre me manda) e ele nunca mais me retornou sobre o assunto (e por isso foi a última vez que emprestei um PDF ou um livro digital; incentivo as pessoas a comprarem). Se o livro fosse em papel eu pegaria de volta e pronto, mas não posso garantir que ele apagou o livro do HD dele por não usar, e não investiu um centavo para ter ele. Não vejo isso como emprestar.

Acho que o empréstimo de livros digitais é algo que ainda não foi inventado nem pelos leitores. Talvez uma solução via software, quem sabe?
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#3 » 15 Jul 2013, 23:26

um dos motivos que a luta contra a pirataria de músicas e vídeos é "mais tolerada" (e a Apple ter lucro com ele, mesmo com a quebra de DRM) é o fato dos responsáveis por estas mídias ganharem de outras formas. O livro digital não tem isso

eu tenho que discordar disso. Pesquise a opinião de escritores como Paulo Coelho e JK Rowlin e você verá a posição de autores que, por exposição sofreriam mais com a pirataria. Ou talvez o fato da Baen Publisher ser considerada a menos pirateada e aina assim DRM free.

Alem disso as empresas Apple e Amazon cobram cerca de trinta por cento de comissão dos autores. Acho que os fins não justificam os meios. Minar a liberdade do leitor, atrapalhar na disseminação da cultura e assaltar autores é o que os sites que vendem e-books com DRM fazem. Existem maneiras mais brandas e puramente sociais com licença Creative Commons ou arquivos com watermark que atrela o ebook a uma pessoa, mas não restringe onde ele pode ler ou armazenar o livro para fins pessoais.

DRM me parece mais uma maneira de controlar como você acessa uma informação que antes podia ser publica, em uma biblioteca por exemplo. Daqui um tempo haverá livros que só serão acessados por um único dispositivo, por conta do DRM. A longo prazo, obras que deveriam ser de domínio público estariam presas por conta deste tipo de abuso. Não posso defender isso.

Recomendo as fontes
http://toc.oreilly.com/2011/01/book-pir ... -data.html
http://www.wired.co.uk/news/archive/201 ... -books-drm
http://readersbillofrights.info/

Você verá que ninguém quer promover pirataria, mas também ninguém esta disposto a ter livros em um ambiente tão restrito nem ser tratado como criminoso por querer ter liberdades já existentes. Historicamente isso nunca resultou em coisas boas. Pelo menos antes os que controlavam a informação precisavam de uma fogueira em praça pública para queimar pilhas de livros. Com o DRM o controle é total e basta um clique para um livro sair do catálogo e se tornar ilegal da noite pro dia.
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#4 » 16 Jul 2013, 08:59

Vocês acham que os e-books hoje em dia realmente vivem fora do mundo acadêmico?
Nossa sociedade não parece estar preparada não.
:tsc:
Nade com os tubarões, se for apenas um deles.

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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#5 » 16 Jul 2013, 11:21

taverneiro escreveu:eu tenho que discordar disso. Pesquise a opinião de escritores como Paulo Coelho e JK Rowlin e você verá a posição de autores que, por exposição sofreriam mais com a pirataria. Ou talvez o fato da Baen Publisher ser considerada a menos pirateada e aina assim DRM free.

@Taverneiro, qual é a sua fonte para esta afirmação? :sobrancelha:

Posso discordar de você? Veja esse texto (mal) traduzido por mim e pelo Google Translator:

Uma coisa que temos visto até mesmo entre os autores que totalmente "get" que ebook preço está fora de controle, é que, se eles têm acordos com editoras tradicionais, os editores são nunca interessado em oferecer preços baixos ebook, mesmo se há cada vez mais evidências sobre a elasticidade de ebooks, mostrando que o preço de maximização é muitas vezes inferior a US $ 5. Joe Konrath experimentos mostraram que reduzir seu preço significativamente pode criar um enorme aumento na receita líquida. Mas as grandes editoras sempre falam sobre a sobrecarga e os custos de publicação de um livro ... mesmo ao ponto de afirmar que US $ 10 é muito barato . Isso significa que autores como Paulo Coelho, um dos melhores autores de venda de todos os tempos, teve de piratear seu próprio livro, por publicá-la online e fingir ser outra pessoa. Mesmo após a liberação dessas obras para o formato livre foi mostrado o aumento nas vendas, a sua editora resistiu em apoiar esses esforços. Contudo, talvez os tempos estejam mudando. De alguma forma, Coelho convenceu a editora de seus primeiros 11 livros EUA, Harper Collins (seu mais recente livro saiu com uma editora diferente) para oferecer versões eBook de 10 de seus 11 livros com eles por $0,99 . Agora, isso só se aplica para os EUA e Canadá (e agora só no Kindle, apesar de outras plataformas devem ser apoiadas em breve). Também parece ser uma oferta por tempo limitado. Além disso, talvez o mais importante, Harper Collins escolheu não incluir livro mais famoso de todos do Coelho, O Alquimista . Portanto, não é um reconhecimento completo do jeito que as coisas estão caminhando, mas é impressionante. Enquanto Coelho está registrando dizendo repetidamente às pessoas para baixar cópias não autorizadas de seu trabalho de graça, ele certamente vê como isso pode ajudá-lo a "competir" com acesso gratuito:

Paulo Coelho escreveu:Esta é uma decisão crucial para mim. Há anos que tenho vindo a defender que o conteúdo livre não é uma ameaça para o negócio do livro. Na redução do preço de um livro e igualando-o ao preço de uma música no iTunes, o leitor será encorajado a pagar por ele, em vez de baixá-lo gratuitamente. [....] É o meu (aberto) desejo secreto que os preços de ebooks vai seguir essa tendência.


http://www.techdirt.com/blog/casestudie ... -099.shtml
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#6 » 16 Jul 2013, 15:36

Então Taverneiro, citar como exemplo o Paulo Coelho e a J. K. Rowling é complicado, pois são autores de grande sucesso de vendas, adaptados para diversas mídias e traduzidos em muitos países. Uma editora que os publique e tenha prejuízo por ter os livros deste pirateados não vai tirá-los do catálogo em hipótese nenhuma, por que o lucro que eles trazem cobre qualquer coisa. Aliás, acho que o Paulo Coelho colocou todas as obras dele em domínio público, assim como o Caetano que colocou várias de suas obras musicais, mas financeiramente falando, eles não são prejudicados. As pessoas compram as obras deles de qualquer maneira e eles tem receita de outras fontes. No caso do Baen, não conheço muito, mas ela é uma editora, como eu já disse se um autor começar a dar prejuízo por ser pirateado é muito fácil tirar ele do catálogo. Aliás, o argumento do Ronassic para este caso é perfeito, parabéns!

Eu penso sim nos autores menores e iniciantes, que são muitos e não tem esta carga de fama que pode ajudar a proteger seu direito autoral, a integridade e a publicação de suas obras. A DRM é uma garantia para eles, mesmo que pareça injusto. Neste contexto, a divulgação que a pirataria pode proporcionar não passa de uma falácia, por que funciona só com meia dúzia de autores bem conhecidos. Além disso, como hoje temos muitos autores é muito difícil para um leitor saber o que e onde procurar quando deseja um texto de qualidade do seu gênero preferido, o que pode ser ainda mais prejudicial quando seu livro é colocado em um pacotão genérico de literatura fantástica por exemplo, que as pessoas podem baixar e simplesmente não ler.

A porcentagem de venda da Amazon parece alta, mas é menor do que das editoras tradicionais, que pode chegar a 70% (segundo me lembro de ter lido em algum lugar) do valor da obra. Mas esse valor não é definido por que as editoras são o império do mal, mas por que elas oferecem todo o suporte para a publicação da obra, como leitura crítica, revisão, diagramação, revisão..., e no caso da Amazon, mesmo sem tudo isso, seu livro está sendo exposto em uma loja de grande visibilidade, que pode ajudar sim para que ela seja vendida. Concordo que os valores praticados sejam altos e que isto deveria mudar, mas não inviabiliza a cobrança das editoras que na verdade oferecem um serviço para os autores. Para aqueles que desejem ter 100% do valor da obra sempre existe a auto publicação, mas ela não exclui o DRM e exige muito mais do autor, que tem de fazer tudo sozinho (conheço vários casos assim).

Você verá que ninguém quer promover pirataria(...)


Isso é discutível. Vou limitar meu argumento ao Brasil, não por ele ser pior, mas por ter como dizer algo sobre. Aqui existe uma cultura de pirataria muito forte, disfarçada de cultura livre, que são duas coisas completamente diferentes. Parece ser certo baixar o livro de um autor com DRM (não estou dizendo que é o seu caso, mas acontece com muita gente) simplesmente por ele ter optado por usá-la, indenpendente dele estar preocupado de não conseguir ter retorno com sua obra. E dizer que o retorno do artista é o reconhecimento é um absurdo, por que ele também precisa comer e quer ter um retorno financeiro com seu trabalho (talvez pela tipo de cultura monetária da nossa sociedade, talvez por aspirar uma situação econômica melhor para si e sua família; autores também são gente).

DRM me parece mais uma maneira de controlar como você acessa uma informação que antes podia ser publica, em uma biblioteca por exemplo. Daqui um tempo haverá livros que só serão acessados por um único dispositivo, por conta do DRM. A longo prazo, obras que deveriam ser de domínio público estariam presas por conta deste tipo de abuso. Não posso defender isso.


Como já expliquei, a DRM não limita a obra a um aparelho no mundo todo ou a um tipo. Posso ter um celular Motorola e um tablet Samsung e usar o Adobe Digital Editions para autorizar os dois. Aliás, não é a DRM que cria esta limitação de acesso, é o próprio comportamento do pirata, que deseja tudo sem ter de pagar (mesmo que não use) e força as empresas a criarem mecanismos para coibir isso (no caso a DRM). As empresas fazem isto para ter lucro, mas não se pode dizer que elas estão erradas, pois elas precisam dele para sobreviver e muito da nossa tecnologia e da qualidade de vida estão atrelados a esse mecanisnmo financeiro. Talvez o lucro seja abusivo, mas quebrar o DRM ou iniciar uma campanha para que as pessoas não comprem (o que duvido muito que aconteça) não é a solução.

Por pior que possa parecer, esta é uma situação em que um "salto de fé" por parte do consumidor que adquire produtos com DRM, pode forçar se não as editoras, mas os autores a lançarem mais obras sem DRM, por acreditarem neles. Alguém tem de quebrar esse mecanismo perverso de um dos lados e o consumidor tem o ônus finaceiro menor.

E o que leva uma obra a cair em domínio público não é o DRM. Dê uma lida: http://www.dominiopublico.gov.br/Politi ... Acervo.jsp

mas também ninguém esta disposto a ter livros em um ambiente tão restrito nem ser tratado como criminoso por querer ter liberdades já existentes.


Se isso fosse verdade, o uso da DRM não seria tão difundido e não é só por que as editoras forçam, mas por que os autores querem. E duvido muito que aqueles que aceitam vejam como a criminalização de sua obra e não como a proteção de seu direito como autor.

Com o DRM o controle é total e basta um clique para um livro sair do catálogo e se tornar ilegal da noite pro dia


De onde você tirou isso? A adoção da DRM não tira livro nenhum do catálogo e não o torna ilegal. Pode fazer isso com quem pirateia, mas jamais com o autor que decidiu usá-la.

Existem maneiras mais brandas e puramente sociais com licença Creative Commons ou arquivos com watermark que atrela o ebook a uma pessoa, mas não restringe onde ele pode ler ou armazenar o livro para fins pessoais.


São alternativas, mas são realmente efeitivas? Uma solução social como você disse pode ser boa para um leitor, mas é para um autor? Quanto a Creative Commons, gostaria que alguém me dissesse qual a validade jurídica dela no caso de plágio e pirataria (não sou advogado, tenho curiosidade com isso). Ela é muita bonita, mas é uma licença internacional, até que ponto em um embate jurídico, ela pode se sobrepor a legislação brasileira?

O direito de escolher como proteger sua obra é do autor e não do consumidor, independente deste último não gostar. A Creative Commons não invalida os livros com DRM.

Vocês acham que os e-books hoje em dia realmente vivem fora do mundo acadêmico? Nossa sociedade não parece estar preparada não.


Tutubarão, acho sim. Se não vivessem, a Amazon, Kobo, Livraria Cultura, Saraiva,... não estariam investindo em ebooks no Brasil. Ou você acha que a Kobo lançou o Aura e a Amazon o Kindle Paperwhite para ver se alavanca as vendas? O grosso dos consumidores destas lojas citadas não são acadêmicos.

Na verdade, dentro do mundo acadêmico, me baseando na minha convivência, é bem pior. Acadêmicos são bichos muito tradicionais e as publicações especializadas tem mecanismos de controle muito mais perversos do que a DRM, como o imposto pela Elsevier. Leiam aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Elsevier# ... 22_boycott

Finalizando, vou deixar duas fontes aqui, para termos uma multipicidade de opiniões sobre o tema:

Botequim dos Jogos #33: Pirataria e Mercado - https://www.youtube.com/watch?v=rX7QbPPkq9s

Resistir é inutil! - http://www.secular-games.com/2011/01/resistir-e-unutil
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#7 » 17 Jul 2013, 09:56

Todo dia vejo no bus e no metro gente lendo em tablets e kindles da vida. Aqui no Centro do Rio hoje em dia é muito comum.
Já é bem comum encontrar pra comprar também, na Livraria Cultura que fica na Senador Dantas tem vários modelos de kobo, fico tentado a comprar um, mas ainda acho que o preço poderia ser menor.
Não sei se vale a pena esse Kobo, o que me diz Chico?

Para esclarecimento, segue a definição do que é DRM e como isto afeta a propriedade sobre os eBooks:

DRM significa Digital Rights Management (Gerenciamento de Direitos Autorais) e é utilizado para garantir que um eBook pertença somente a uma pessoa e não possa ser copiado ilegalmente. Esse gerenciamento permite que as leis de proteção aos direitos autorais sejam respeitadas e os autores e editoras sejam devidamente compensados. Com o DRM, quando você compra um eBook na Livraria Cultura, é dono da copia para sempre, exceto se desejar excluir o eBook de sua biblioteca.
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#8 » 17 Jul 2013, 12:11

Olha, eu vejo diariamente dezenas de pessoas no celular, mas raramente lendo algo.
Mulheres jogando a praga do Candy e homens ou fazendo isto ou fofocando no Face.
Livros ainda são vistos, bem como revistas.
UAM VEZ OU OUTRA vejo alguém ouo com IPAD pou com o Kindle (que é o IPAD de fudido)

Mas não acho que isto esteja vingando ou pegando não.
Conheço quem ainda têm repulsa a este bagulho.

Com o tempo veremos se vinga, mas estas ferramentas já estão a tempo suficiente para ter `pego".

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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#9 » 17 Jul 2013, 15:16

O problema das pessoas preferirem os joguinhos de celular aos ebooks está muito ligado ao fato das pessoas no Brasil lerem pouco. Esse pessoal do celular podia estar com um livro em papel na mão. O problema é a falta do hábito de leitura e não os ebooks.

Existe também o problema da posse do livro, que é meio estranha, por que ele não fica exatamente no seu computador, mas na nuvem da livraria. Acho que foi no outro tópico que deixaram o link desta reportagem: http://oglobo.globo.com/cultura/levanta ... il-8211303, que cita:

Entre janeiro e setembro de 2012, as vendas eram tímidas. A DLD vendia em média 4,7 mil lívros digitais. Mas a abertura da loja da Apple em outubro fez elas triplicarem, ficando em cerca de 16 mil.
As coisas melhoraram em dezembro. Com a chegada de Amazon, Google e Kobo, as vendas dispararam. Naquele mês, as sete editoras venderam 39 mil exemplares. Depois da virada do ano, os números continuaram a crescer. Em março, passaram os 44 mil.

As coisas melhoraram em dezembro. Com a chegada de Amazon, Google e Kobo, as vendas dispararam. Naquele mês, as sete editoras venderam 39 mil exemplares. Depois da virada do ano, os números continuaram a crescer. Em março, passaram os 44 mil.


É um artigo recente, que trás números, mas existe a percepção pessoal de cada um sobre isso, depende do seu círculo de contatos. Até final de 2011 eu tinha a mesma impressão que a sua Own_mystical, mas isso mudou ano passado, quando a maior parte do meu círculo de amigos e contatos aderiu aos livros digitais (mesmo que em PDF). O que eu acho que pode estrar trazendo o crescimento do ebook é o fato de que fora do mercado de RPGs (e de publicações científicas), praticamente não se publica em PDF. E os preços nas livrarias destes (com algumas exceções) é bem em conta (comprei a Guerra dos Tronos por R$ 9,90!).

Mas precisaria de dados de verdade para afirmar isso e não sei onde procurar. Minha percepção deste crescimento é pessoal também, e motivada pelo fato de ter aderido ao ebook devido ao espaço físico que os livros ocupam (minha estante está abarrotada) e dos preços mais baixos.

Sobre a compra do Kobo, Ronassic, tenho pensado no assunto a algum tempo. Tenho um Galaxy Tab 2 e leio nele, mas devido ao conforto da leitura com o epaper e a duração da bateria dos ereaders (1 mês!), tenho pensado no assunto, pois invisto cada vez mais nos ebooks e a leitura nos tablets incomoda pelo reflexo, especialmente quando você passa muito tempo lendo, que é o meu caso. Comprar um ereader ao invés de um tablet deve levar isso em consideração, por eles serem dedicados a leitura, enquanto que com um tablet você faz um monte de coisas. Minha opinião pessoal sobre o assunto: vale a pena ter os dois, pois ambos são muito leves para carregar e quando você quiser dois livros abertos ou um livro aberto e pesquisa na internet fica fácil.

Entre Kindle e Kobo, se você procurar por reviews vai ver que eles são muito similares, mas a Kobo deixa explicito no site que não tem assistência técnica no Brasil. A Amazon não fala nada, mas se você procurar no Google (ao contrário da Kobo) vai ver montes de links sobre assistência técnica. Não é nada oficial, mas como já tinha gente trazendo Kindles para cá antes da Amazon chegar, o suporte para a manutenção dele é melhor (logo isso acontece com a Kobo também).

O que me faz pensar em comprar um Kindle, é a estabilidade do formato da Amazon. Apesar dele ser baseado no ePub, a adoção de novas ferramentas e bibliotecas é mais lenta e bem testada. Para terem uma ideia, a última revisão do ePub pela IDPF saiu em 2011 (ePub3) com montes de recursos, mas até hoje, não existe um leitor que suporte 100% das características do ePub3 (e a IDPF não oferece um). Tudo bem que muita coisa cai em desuso e pode ser removida na próxima revisão, mas isto torna difícil a vida do desenvolvedor. Já o que é incluído pela Amazon no formato do Kindle não será removido.

Outro fator são os preços dos livros na Amazon que sempre entram em promoção, independente daquelas da Editora. Isso tudo vai me levar a comprar um Kindle, mas ainda quero ir na Livraria Cultura e um quiosque da Amazon e pegar o Kindle e o Kobo na minha mão para testar, antes de tomar a decisão final.

Mas se você está querendo comprar um ereader para ler ebooks, acho que deve comprar primeiro um tablet. Além dele não ser dedicado, você pode instalar o software de várias lojas e ver qual te agrada mais, antes de comprar um Kobo e achar que é mais barato gastar na Amazon. Além disso, os ereaders se excluem (malditos capitalistas! :)):

Kobo: http://kobo.intelliresponse.com/br/erea ... +kobo+aura

Kindle: http://www.amazon.com.br/gp/feature.htm ... 1001028971

Se você tiver um livro sem DRM pode converte de um para o outro, com alguns bugs, mas resolve a questão da leitura no outro aparelho (mais um motivo por que acho legal ter um ereader e um tablet).
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taverneiro
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#10 » 18 Jul 2013, 22:56

Oi galera, voltei. O trampo tá me sugando as energias de novo...

@Taverneiro, qual é a sua fonte para esta afirmação?

Coloquei os links no final do post. Estou sem energias pra olhar ali de novo, mas acho que eu postei o site certo.

Como já expliquei, a DRM não limita a obra a um aparelho no mundo todo ou a um tipo.

Mas limita seu acesso. Se a empresa deixar de existir? Ou se o formato tornar-se obsoleto e precisar ser migrado para outros?

Limitações como essa geram duas situações:

Imagine que voce comprou um livro da Kobo e dez anos depois, ela fecha e voce quer um e-reader novo. Voce acabou de perder todos os seus livros.

Imagine que uma empresa como a Apple apresente um novo formato, um novo paradigma e uma nova loja. Uma obra travada pelo DRM vai ter suas dificuldades em conversão.

Nas duas situações é como se de repente todos os seus livros agora estão escritos em Klingon.

De onde você tirou isso? A adoção da DRM não tira livro nenhum do catálogo e não o torna ilegal.

Ah, tira do catálogo sim:
http://www.mobileread.com/forums/showth ... ?t=208813/

Se no futuro todas as obras de dominio publico forem publicadas sob o DRM, a obra não pode ser reproduzida facilmente, limitando o acesso e difusão. Esse é o meu ponto. As editoras precisam entender que o domínio que elas tem sobre uma obra é TEMPORÁRIO. Impedir ou dificultar o futuro da obra após este período deveria ser ilegal, e pra mim é anti-ético. Mas... o dinheiro é que manda então, azar dos meus bisnetos.

Só deixo aqui meu pedido de desculpas pela imbecilidade da minha geração em permitir a apropriação indevida da cultura livre que deveria a pertencer a todos os que viverão no final deste século.

Qual a relevância das obras de domínio público? Além da obvia preservação cultural, veja um estudo sobre os novos lançamentos da Amazon ajustado por década de criação: https://plus.google.com/u/0/11264881319 ... 1gte58yPoo

Massivamente obras de domínio público.

PS: CreativeCommons tem respaldo por aqui na licença "Brasil". Inclusive, os posts do site do Ministério da Cultura eram licenciados sob a Creative Commons, antes da Ana de Holanda assumir ministra. Espero que a Marta retome isso.
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#11 » 19 Jul 2013, 11:14

Indo mais além: a tecnologia DRM dificulta o acesso a pessoas que possuem certos dispositivos.


Isso já não basta e diz muito?

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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#12 » 19 Jul 2013, 11:46

O trecho que você está dizendo ser sua fonte é essa Taverneiro?
As to sales, Paulo Coelho is a good example. He mines the piracy data to see if there’s a burgeoning interest for his books in a particular country or market. If so, he either works to get his book out in print or translate it in that market.


Se for, acredito que você possa ter entendido errado, na verdade a análise feita em cima das informações sobre pirataria está sendo um ponto importante para lançar os livros dele (Paulo Coelho) em países e mercados que antes não tinham acesso a eles.

Então nesse ponto a pirataria está até ajudando-o a encontrar mais mercados, de outra forma ele teria mais dificuldade para saber se seria interessante investir naquele local. Já vi várias entrevistas do Paulo Coelho falando sobre pirataria, e ela não o prejudica de forma alguma, não que a pirataria seja algo legal, porque literalmente não é, o bom seria podemos pagar por algum produto e serviço sempre, mas essa não é a realidade.

Não entendi o seu ponto em relação a isso.

Em relação a famosa autora do Harry Potter, ela sempre caçou pirateiros, e boicota as grandes editoras, ela é muito esperta e deve estar trilhardária já, porém acabou incentivando a pirataria de seu próprio livro ao lançar um ebook por U$ 19,99.
Normalmente um ebook desse nível é lançado com preços que variam de 12,99 até 14,99, como uma das obras mais aguardadas, a biografia de Steve Jobs, que foi vendido em formato eBook por US$ 14,99 na época do seu lançamento.

Acredito que a estratégia dela seja o seguinte, por JK Rowling ser uma autora visada para Best Sellers, os mais afoitos e honestos vão pagar mais caro para serem os primeiros a lerem seus livros, isso gera um ganho mais rápido dos ‘custos’ de lançamento, e depois podem controlar o preço acompanhando a pirataria e manter as vendas, e caso a pirataria fuja do controle (ou não) ainda pode funcionar como ferramenta de marketing.

Quanto a perder livros digitais, pelo motivo da Kobo ou qualquer outra empresa do gênero fechar ou ficar ultrapassada, esse risco existe, mas não é realmente um problema, só depende de você. Afinal você sempre pode ter o backup deles nos seus próprios aparelhos, se um dispositivo quebrar, ainda terá outro, se a própria empresa quebrar, ele ainda estará disponível nos seus dispositivos, ele é seu para sempre.

E para quem possui um smartphone ou tablet terá a flexibilidade de poder comprar ebooks em diversas lojas e poder lê-los no mesmo dispositivo. Para quem não sabe, há aplicativos do Kindle, Kobo, Livraria Saraiva, e outros para que você leia os ebooks comprados nestas lojas em seu dispositivos portáteis.

Ou seja, se você já possui um tablet ou smartphone pode começar sua coleção de ebooks sem se preocupar em se fidelizar a uma das livrarias. Você não precisa decidir agora se quer comprar um Kobo ou um Kindle, você poderá começar usando o aplicativo para conhecer melhor a estrutura de cada livraria antes de tomar sua decisão.

Os aplicativos de leitura de ebooks em geral oferecem vantagens em relação à leitura tradicional em livros de papel:

    - ajuste dinâmico do tamanho e tipo da fonte;
    - sincronismo entre plataformas (quando oferecem mais de uma plataforma);
    - leitura offline de seus ebooks (não precisa estar conectado à Internet);
    - possibilidade de adicionar anotações e marcar trechos do texto no próprio aplicativo;
    - suporte a hipertexto (texto com links para navegação rápida);
    - possibilidade de fazer busca por palavras dentro dos ebooks.
Além disso, mesmo se você já possui um Kindle ou Kobo ou outro e-reader dedicado e também possui um smartphone ou tablet Android ou iOS, você poderá ler ebooks de outras livrarias neles, sem precisar comprar outros e-readers para isso.

Ebooks têm total portabilidade. Se hoje você possui um iPhone e resolve migrar para a plataforma Android, comprando um Samsung Galaxy S4. Você continuará tendo acesso em seu novo smartphone aos ebooks que você já comprou e lia no seu smartphone antigo.

Eu não gosto de DRM, mas ela acaba sendo utilizada, porém a própria JK Rowling não usa, ela prefere processar quem disponibilizar seus livros de graça, e tem ganho muitas causas.
"O topo da inteligência é alcançar a humildade."

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PierrotDead
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#13 » 19 Jul 2013, 13:22

Minha questão é super direta.
Se eu tenho tudo que baixo no windows de sempre, para que ter um IPAD?
Que não têm cabo de transmissão de informações e não lé tudo?
Onde caras está a sedução?

:hum:

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taverneiro
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#14 » 19 Jul 2013, 13:46

Não entendi o seu ponto em relação a isso.

Uma coisa que acho que preciso separar aqui é que só porque eu sou contra o DRM, isso não implica ser favorável a pirataria de qualquer tipo. Que a DRM ajuda o editor e autor a manter um controle maior da obra e como ela está sendo distribuída, isso eu sei.

Meu questionamento da DRM é que a portabilidade se perde com o tempo.

E para quem possui um smartphone ou tablet terá a flexibilidade de poder comprar ebooks em diversas lojas e poder lê-los no mesmo dispositivo. Para quem não sabe, há aplicativos do Kindle, Kobo, Livraria Saraiva, e outros para que você leia os ebooks comprados nestas lojas em seu dispositivos portáteis.

Você está supondo que Kobo, Livraria Saraiva e Amazon vão estar a disposição sua para todo o sempre para atualizar os livros que você já comprou nas suas respectivas lojas. Se o seu e-reader/tablet quebrar ou se tornar obsoleto a transição para outro aparelho de outra marca mais nova, melhor e mais interessante fará com que os livros protegidos que você comprou não sejam migrados.

A facilidade do formato digital está sendo limada por um motivo questionável: todos sabemos que livros DRM são crackeados e pirateados. Quem se dá ao trabalho de fazer o que é certo (como eu que gasto mensalmente em e-books de RPG e ficção) pode se ver numa situação complicada no futuro. Se a empresa não existir, como poderei cadastrar meu novo dispositivo? E que garantias eu tenho que meu dispositivo será compatível. Eu uso Debian Linux e o unico codec que tira a criptografia de DRM é considerado ilegal, mesmo que eu tenha "comprado" um e-book.

Eu tenho e-reader, smartphone e laptop. Todos com algum tipo de software que lê EPub e PDF. Uso-os para meus jogos de GURPS, Fate e Fudge. Eu prefiro o formato eletronico. Eu compro em casa, do banheiro se eu quiser e leio ali mesmo, na hora.

Não baixo livros piratas, apenas boicoto ebooks com DRM pois dou valor a liberdade que eu tenho com ebooks livres dessa coisa. Estas liberdades não são inventadas: é a mesma dos livros impressos.

Afinal você sempre pode ter o backup deles nos seus próprios aparelhos, se um dispositivo quebrar, ainda terá outro, se a própria empresa quebrar, ele ainda estará disponível nos seus dispositivos, ele é seu para sempre.

Você está supondo aqui entao que o seu dispositivo nunca vai quebrar depois que a empresa deixar de existir?

Minha questão é super direta.
Se eu tenho tudo que baixo no windows de sempre, para que ter um IPAD?
Que não têm cabo de transmissão de informações e não lé tudo?

Questão de poder levar minha casa toda no bolso sem carregar um quilograma sequer.

Isso já não basta e diz muito?

Pra mim sim. Mas me parece consenso da galera que o direito do autor da obra se sobrepõe à liberdade do leitor que comprou-a legalmente deveria ter. Um não existe sem o outro mas vejo pouca consideração por parte dos editores. Eu não concordo e simplesmente ignoro livros DRM. É como se eles não existissem para mim. Minha grana vai pra outro lugar.
"Owo Grunish topuck norio kromsh?
OW ROUTZ PRECOIL CHARTZAM!!!!"
- Antigo provébio Troll

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eusouochico
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Re: Tecnologia DRM nos ebooks

Mensagem#15 » 19 Jul 2013, 15:23

Concordo com a interpretação do Ronassic da sua fonte Taverneiro. E como ele disse, empresa deixar de existir é um fato que está além do seu controle, por que se você tentar controlar tudo, não deveria comprar livros em papel, pois e sua casa pega fogo (espero que nunca aconteça! :))?

No caso do formato se tornar obsoleto, existe um precedente: o formato LIT da Microsoft (naquela discussão do seu link eles falam sobre isso). A Amazon deixou de vender livros neste formato, mas notificou todos os compradores com um ano de antecedência para fazer o download dos livros (você pode fazer o download legalmente de seus livros para seu computador e fazer backup em uma HD Externa). Tudo bem que eles tinham DRM, mas isto não impede que o livro seja usado em outro aparelho que reconheça o formato, bastando usar algum software que gerencie seus equipamentos como o Adobe Digital Editions.

Contudo, o formato LIT está obsoleto, e por isso, criou-se métodos para quebrar a DRM e as pessoas poderem converter seus livros para ePub ou Mobi (métodos que muita gente usa para piratear; mesmo que no caso justo isso pareça pirataria, essa é uma questão que o rápido avanço e a multiplicidade de formatos não resolve). Você pode argumentar que se não houvesse DRM a conversão seria mais fácil, mas basta pensar na quebra de paradigma que foi o eBook em relação ao PDF. Tanto que mesmo que o PDF não tenha DRM, a conversão direta é impraticável, pelo resultado ficar totalmente bagunçado (tanto que estou passando o Old Dragon Fast Play para eBook que tive de retirar o texto na unha do PDF para fazer o HTML), e não dá para afirmar que o PDF é um formato eterno, pois não se encontrou um formato padrão ainda para os eBooks, como o PDF para distribuição de documentos e o mp3 para músicas. Um fato interessante, é que tanto o mp3 quanto o PDF são formatos proprietários, mas acabaram se tornando padrão devido a sua estabilidade e abrangência (você me disse que usa Linux, Taverneiro, suas músicas estão em OGG ou mp3?), mas pelo menos no caso do PDF, ele foi aberto pela Adobe em 1993 (fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Portable_Document_Format) e considerado como padrão pela International Organization for Standardization (ISO), logo, nem sempre um formato proprietário e fechado é ruim.

Sobre a obsolência deste formatos, este é um mal da era digital. O "formato" do livro em papel é mais estático, mas com formatos digitais tudo muda, por que é muito fácil criar um formato melhor. O melhor que se pode fazer neste caso é ficar de olho e caso seja necessário, quebrar a DRM de formatos obsoletos e converter para o atual (se moralmente isto parecer certo para você), mas mesmo isso tem um limite, pois vai chegar um momento em que a conversão não é possível ou é impraticável (PDF), indempende do DRM, e você vai ter de comprar outra edição, o que acontece mesmo com o livro em papel, quem é frequentador assíduo de sebos sabe disso. Tablets em parte ajudam a resolver este problema (de forma legal), pois como no caso do formato LIT, existem leitores disponíveis para leitura dele, mesmo estando obsoleto e com DRM, bastando autorizar o aparelho pelos modos normais, como eu já falei várias vezes.

Ah, tira do catálogo sim:
http://www.mobileread.com/forums/showth ... ?t=208813/

Se no futuro todas as obras de dominio publico forem publicadas sob o DRM, a obra não pode ser reproduzida facilmente, limitando o acesso e difusão.


Sobre essa coisa de tirar do catálogo, você interpretou errado, na verdade a questão neste tópico é justamente sobre os formatos obsoletos, que expliquei acima.

E se todas as obras de Domínio Público forem publicadas com DRM por alguma livraria, qual a diferença? A obra continua sendo de domínio público segundo a legislação vigente, se aquela edição tem algum de bloqueio como o DRM, podem existir outras sem este tipo de restrição, ou fontes de acesso livre como o Portal Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br/pesqui ... raForm.jsp) e o Project Gutenberg (http://www.gutenberg.org/), onde qualquer um pode obter o texto, mesmo que exista alguma edição com DRM. Esse é um daqueles casos que você citou sobre escolher um livro sem DRM.

As editoras precisam entender que o domínio que elas tem sobre uma obra é TEMPORÁRIO. Impedir ou dificultar o futuro da obra após este período deveria ser ilegal, e pra mim é anti-ético.


Já falei isso, não são as editoras, são os autores. A editora não é dona do livro, mesmo que cobre um absurdo para publicar, e se um autor desejar, respeitado os direitos e deveres de contrato que ele firmou com plena consciência, pode trocar de editora ou publicar de maneira independente, com ou sem DRM, que é uma escolha dele e não do leitor.

Esse seu argumento tem um ponto que eu não gosto, que é a banalização do termo Cultura Livre, que o autor deste artigo (http://paoliblog.wordpress.com/2008/09/ ... no-brasil/) explica de uma forma melhor e mais direta:

Alguns alegam a idéia da “cultura livre” – expressão que passei a não gostar – para O USO indevido de material colocado na internet, nos sites dos autores. Ou seja, que “a cultura geral e o direito do povo (usuários da net) de ter acesso a ela, devem prevalecer sobre os interesses particulares de um autor sobre a obra”. A expressão é errada, a interpretação mais ainda e quem pensa assim para “pegar” uma obra está completamente, redondamente, extremamente enganado.


O autor tem direitos e interesses particulares, que devem ser respeitados. Se ele não deseja publicar seus livros com uma licença de Cultura Livre, que detalham exatamente o que pode e que não pode ser feito (com opções bem restritivas inclusive), ele tem esse direito de acordo com seus interesses particulares sim, independente do direito do povo. Esse é um ponto que tenha falado repetidamente nos meus argumentos, que é o direito do autor que não pode ser ignorado.

Concordo com você Taverneiro, que seria muito melhor uma sociedade onde todas as obras fossem liberadas sobre licenças de cultura livre e que as pessoas tivessem consciência de que devem garantir os direitos do criador da obra (o direito moral e intelectual são bem óbvios, mas e o financeiro? Ele não tem direito de ganhar dinheiro com seu trabalho para continuar criando?), mas isso não acontece, e mesmo que filosificamente eu concorde com você que a DRM não é boa, defendo seu uso por parte dos autores (as editoras tem outro mecanismos, que inclusive podem prejudicar o autor, como já falei) que tem o direito de protegerem suas obras, se a filosofia (que é isso o que ela é) da cultura livre não lhe traz segurança o bastante.

Sobre a Creative Commons, quando você diz:

CreativeCommons tem respaldo por aqui na licença "Brasil". Inclusive, os posts do site do Ministério da Cultura eram licenciados sob a Creative Commons, antes da Ana de Holanda assumir ministra. Espero que a Marta retome isso.


Existe um conjunto de licenças CC para o Brasil definido pela Fundação Getúlio Vargas, com base na licença internacional, mas ela não tem valor jurídico. Retirado do próprio site da CC Brasil (http://creativecommons.org/licenses/by- ... /legalcode):

A INSTITUIÇÃO CREATIVE COMMONS NÃO É UM ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA E NÃO PRESTA SERVIÇOS JURÍDICOS. A DISTRIBUIÇÃO DESTA LICENÇA NÃO ESTABELECE QUALQUER RELAÇÃO ADVOCATÍCIA. O CREATIVE COMMONS DISPONIBILIZA ESTA INFORMAÇÃO "NO ESTADO EM QUE SE ENCONTRA". O CREATIVE COMMONS NÃO FAZ QUALQUER GARANTIA QUANTO ÀS INFORMAÇÕES DISPONIBILIZADAS E SE EXONERA DE QUALQUER RESPONSABILIDADE POR DANOS RESULTANTES DO SEU USO.


As duas referências abaixo fazem uma análise mais detalhada do assunto:

http://www.conteudojuridico.com.br/arti ... 36039.html

http://books.google.com.br/books?id=mJv ... il&f=false

Na primeira, temos os seguintes trechos:

Para uma lei se tornar constitucional tem que passar pelos 3 requisitos que seriam: existência, validade e eficácia.

A primeira se dá com a criação da norma, quando esta é sancionada se torna lei e, sendo promulgada vai para o ordenamento jurídico.

A validade ocorre quando a norma atende aos requisitos formais e materiais e, o seu vício pode causar invalidade.

O ato é inválido quando é ilegal por ofender uma lei, ou quando é inconstitucional, no caso de ferir uma norma constitucional.


No Brasil, há conflitos de aplicação da licença creative commons com a lei de direito autoral vigente fazendo com que não seja aplicado totalmente com o creative commons puro, ou seja, o domínio público não causará qualquer efeito jurídico sobre a sua obra.

(...)

A atuação se dá através de uma licença pública que se vinculado a internet torna-se acessível a todos, não há validade jurídica e, ela não se responsabiliza por danos surgidos em conexão com a licença do autor.


No segundo (pag. 111, 2o e 3o parágrafo):

(...) o Creative Commons pode ser uma boa opção, pois, ao mesmo tempo que permite certa proteção sobre a obra, possibilita que esta venha a ser divulgada inclusive via internet, ou seja, com abrangência mundial.

Por outro lado, aqueles que necessitam da regulamentação severa dos direitos autorais, como por exemplo, aqueles que tiram seu sustento de suas obras, encontram dificuldade em visualizar vantagens de se conceder direitos que permitam a veiculação de sua obra sem retorno financeiro.


e (pág. 112, 1o parágrado; mais acima no texto ele explica os pontos conflitantes):

A utilização do Creative Commons no Brasil, já não é completa, visto que há pontos colidentes com a Lei de Direitos Autorais, assim como nem todos vislumbram vantagens em aderir a este sistema.


Então uma licença CC pode ser uma boa para disponibilizar os textos do seu blog (o que eu faço) de onde você primariamente não espera ter lucro ou problemas com o direito autoral, mas não se você quer ser um escritor e receber por sua obra. Como já disse não sou advogado e gostaria de alguém aqui da lista para discutir este ponto, mas imaginem a seguinte situação: você publica um livro sem DRM e com uma licença CC, e uma pessoa agindo de má fé, pega seu texto e registra em um escritório do ECAD e na Biblioteca Nacional. Como a CC não tem valor jurídico, você pode ser processado por pirataria de sua própria obra, pois ela não pode sobrepor a legislação brasileira. Claro que se pode usar a data de publicação na internet para contestar isso, mas seria uma briga de faca entre advogados de nível épico, pois juridicamente falando, neste caso, quem tem direito é o pirata.

Veja bem, também acho a CC algo muito legal e bonito, mas eu quero publicar um dia, e ela não me transmite segurança. Como este meu caso, você pode condenar o uso da DRM, por um autor que deseja garantir o retorno financeiro do seu trabalho? Autores como Miguel Carqueija, Simone Saueressig e Tibor Moricz tem a blindagem da fama do Paulo Coelho e da J. K. Rowlling para se protegerem contra a pirataria?

Concordo que precisamos de opções melhores, mas a CC não é uma delas e por isso, a DRM é a única forma de proteção que um autor conhece.

Joaosacs, sobre dificultar o acesso a certos dispositivos ou a obsolescência dos formatos digitais, existe um trecho (http://en.wikipedia.org/wiki/Digital_ri ... solescence) sobre isso que gostaria de comentar:

DRM can accelerate hardware obsolescence, turning it into electronic waste sooner


Concordo que este ponto é problemático em uma primeira análise, mas a nível pessoal vejo uma vantagem: a estabilização de um formato de eBook. Nosso avança tecnológico é rápido e impensado, e por isso, dois meses depois seu aparelho já está obsoleto, com ou sem DRM. Contudo, uma maior permanência de aparelhos no mercado, apesar de não contribuir com a inovação, pode permitir que os formatos sejam melhor trabalhados e estáveis, assim quando a inovação vier, seu aparelho não deixará de usar ele, mesmo sendo antigo. Um bom exemplo disso é a linguagem TeX, com seu conjunto de macros o LaTeX, que apesar de ser antiga, é extremanente estável e usada largamente na Academia (principalmente em exatas) para a produção de artigos científicos, em detrimento dos editores de texto.

Como o Ronassic disse, e eu também concordo, uma boa maneira de evitar diversos problemas que foram discutidos é ter um tablet. Eu penso em adquirir também um ereader, mesmo com todas as restrições, mas isto é uma decisão pessoal, mas manterei meu tablet, assim se comprar um Kindle, e quiser um livro da Kobo/Saraiva, posso acessá-los via software pelo Android.

PierroDead, com:

Se eu tenho tudo que baixo no windows de sempre


Com isso você quer dizer conteúdo obtido de maneira legal? Se for, recomendo que leia sobre iPads e Tablets e veja se um dispositivo desses atende suas necessidades. Meu motivo primordial quando comecei a investir em eBooks (hoje tenho outros) foi o espaço físico. Não tenho mais tanto espaço para livros em papel e nem previsão de aumentá-lo (assim como muita gente). iPads e Androids tem diversas diferenças, recomendo que procure informação sobre elas e veja se no caso das restrições do iPad o Android não te atende (isto está atrelado ao que falei sobre nosso desenvolvimento tecnológico mais acima).

Atualização de última hora, pois vi seu último post Taverneiro, depois que terminei de escrever:

Pra mim sim. Mas me parece consenso da galera que o direito do autor da obra se sobrepõe à liberdade do leitor que comprou-a legalmente deveria ter. Um não existe sem o outro mas vejo pouca consideração por parte dos editores. Eu não concordo e simplesmente ignoro livros DRM. É como se eles não existissem para mim. Minha grana vai pra outro lugar.


Esqueça as editoras, é o que eu estou defendendo, o direito do autor se sobrepõe a liberdade do leitor neste caso. Não dá para tirar isso dele, independente de ser injusto. Para os dois serem atendidos, uma mudança cultural profunda deve acontecer em relação a pirataria, o que pode levar muitos anos.
Além da Imaginação - Onde o misterioso e o fantástico se encontram
http://alemdaimaginacaorpg.wordpress.com

Bem, quando você olha para o infinito, você percebe que existem coisas mais importantes do que o que você faz o dia inteiro. (Calvin)

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